"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

terça-feira, outubro 17, 2017

"E vós, quem dizeis que Eu Sou?"
























Chegando a Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”
E eles disseram: Uns, João Batista, outros, Jeremias ou um dos profetas.
Disse-lhes ele: “E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?”
Simão Pedro, respondendo, disse: “TU ÉS O CRISTO, O FILHO DE DEUS VIVO!” 
(Mateus 16: 13-16)


Certa vez, comentando com um cristão ortodoxo sobre esta passagem bíblica, após lhe ter dito que “Cristo é tudo em todos” (Col. 3: 11), e não somente em Jesus, e que a passagem revelava o Cristo, em Pedro, reconhecendo o Cristo em Jesus, ou seja, um lampejo de iluminação vivenciado por ele, este cristão me respondeu:

- “Mas Pedro disse a Jesus que ele era o Cristo! Por que não disse a mesma coisa aos outros? 

E eu respondi: “Porque quem fez a pergunta foi Jesus, e não os outros!” 

A resposta, aprovada por Jesus, segundo suas próprias palavras, veio não de Pedro carnal: “Não foi carne e sangue quem te revelou, mas meu Pai, que está nos céus( Mt. 16: 17).

Seja Jesus, seja João, José, Maria, ou qualquer outro, se for feita a indagação a Deus, a resposta será sempre a mesma: “TU ÉS O CRISTO, MEU FILHO AMADO!” Por quê? 

Porque Deus é tudo! Deus somente reconhece a Si mesmo como onipresença onipotente! 

Esta Verdade está registrada em 1 Samuel 16,7: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o Coração”.

Deixemos, agora, os cenários bíblicos e passemos à vida prática: 

“E você, quem diz que eu sou?” 

E você, quem diz ser o seu familiar? 

Quem diz ser o seu vizinho, o seu parente, o seu professor ou aluno, o seu governante? 

Algum João Batista? Algum Jeremias? Algum profeta? 

Ou você, acreditando que Deus é tudo, responderá a cada um: “tu és o Cristo, o filho do Deus vivo”?

A Verdade só revela seu Poder quando vivida na prática! 

Jesus só chamou a Pedro de bem-aventurado, pela resposta dada! Os demais estavam só “julgando pelas aparências”, enquanto o “juízo justo” se dá “pelo Coração”.

Antes de sair de casa, pela manhã, sempre se lembre de perguntar a si mesmo: 

“Quem eu digo que eu sou”? 

 “Quem eu digo que aquele ser é?” 

“Quem eu digo que são aqueles que entram em contato comigo”? 

E faça como Pedro: deixe o Pai em você – sua Cristo consciência – dar-lhe a resposta!

Ao ter isto por HÁBITO, mais e mais deixará de julgar a SI MESMO e ao próximo pelas APARÊNCIAS, o que significará, de fato, que VOCÊ estará sendo um bem-aventurado! como deus, sabendo olhar o coração!


domingo, outubro 15, 2017

A percepção da Unidade


- Núcleo - 


Personificações da Verdade,

Na oração sacerdotal, Jesus manifesta a sua vontade e ora a Deus para que todos sejam “aperfeiçoados na unidade”.

Para que alguém possa ser “aperfeiçoado na unidade” esse alguém já tem que ter em si a “visão da unidade”. Só assim poderá ser aperfeiçoado, ou seja, aperfeiçoado naquilo que já tem em si…

O princípio no qual se baseia o ensinamento do Núcleo [que provém do Núcleo, Fonte ou Origem] é precisamente a “visão da unidade”, chamada de “percepção”.

Há aqui dois detalhes essenciais a serem notados:

O que é preciso para ser “aperfeiçoado em algo” é reconhecer que já tem esse “algo” no qual irá apenas “ser aperfeiçoado”! Assim, esse ensinamento sobre a visão da unidade parte da “percepção”.

O segundo detalhe é que esse ensinamento não é centrado em nenhum personagem em especial, não é centrado em nenhuma pessoa, mas sim na percepção compartilhada por essa pessoa…

Sempre houve os que tiveram essa percepção e que a compartilharam!

O que geralmente acontece é que seus seguidores seguem a pessoa [Jesus, Masaharu Taniguchi, Sakyamuni] e não a percepção que por elas foi compartilhada…

Por isso Jesus disse: “Se eu não me for o Consolador não virá a vós”

Ao ensinar: “Conheça a Verdade e a Verdade os libertará”, Jesus estava revelando o que é preciso para sermos verdadeiramente livres. Precisamos conhecer a Verdade!

“Conhecer a Verdade” significa “conscientizar em nós a Verdade”. Para nos tornamos conscientes da verdade precisamos percebê-la! Eis o ponto crucial!

A Verdade é o que é real. E somente o real percebe o real…

Esta é a chave de compreensão do que é real.

O que é real?

Apenas o real!

O que pode perceber o real?

Apenas o que é real.

No ensinamento do Núcleo é usada a metáfora de “Ator e personagem” na qual o ator é real e o personagem é irreal.

Assim, a “mente do personagem” [chamada por Masaharu Taniguchi de “mente em ilusão”] é irreal, e a “Consciência do Ator” [que alguns chamam de “Consciência divina” e na linguagem cristã é chamada de “Mente de Cristo”] é real.

Acaso pode a “mente de um personagem” perceber o real?

Não, apenas a “Consciência do Ator”, que é real, pode perceber o real!
Sendo o personagem irreal, uma ficção, não pode perceber o real.

O ser humano visto por sua própria mente parece ser real…
Contudo, o ser humano não é real…
E sua mente também não é!

Este é o ponto!
A mente do ser humano não é real.

Não sendo real, a mente humana não pode perceber o real.

Apenas o real percebe o real. Deus é real.

Em um personagem aquilo que pode perceber o real é somente a “Consciência do Ator”, que é a real identidade do personagem!

A real identidade do ser humano é Deus!

Somente o real percebe o real.

Somente Deus Se percebe!

Deus Se expressa no ser humano como Consciência.

Assim, apenas a “Consciência” [a “Mente de Cristo”] percebe o real.

Foi com essa “Mente de Cristo” que Simão compartilhou a percepção de que: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”.

O que pode nos “aperfeiçoar na Unidade” é a conscientização de que a percepção [da “Mente de Cristo”] é válida não só para Simão e não só em relação a Jesus…

Isso é o que eleva os seguidores da pessoa de Jesus à percepção de um verdadeiro apóstolo, aquele que compartilha a percepção de que já tem em si mesmo a “Mente de Cristo”, como o apóstolo que compartilhou a percepção de que: “temos a Mente de Cristo”.

Enfim, perceber o real só é possível com a “Mente de Cristo” em vez de perceber com a “mente em ilusão”, pois a ilusão “verá” a própria ilusão… A percepção da “mente em ilusão” nem mesmo é uma real “percepção”, é uma “pseudo percepção”. A real “percepção” em nós é a “Mente de Cristo”.

Assim, olhando com a “Mente de Cristo”, que é real, veremos o real, veremos a real identidade do ser humano. E para qualquer ser humano que olharmos não mais veremos um ser humano!

Veremos o que viu Simão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

Na oração sacerdotal Jesus afirma: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos em Unidade”.  Assim, para sermos “aperfeiçoados na unidade” precisamos perceber a unidade com a “Mente de Cristo”!

Com a percepção da “Mente de Cristo” seremos perfeitos em Unidade; a Verdade será conscientizada e nos tornará verdadeiros apóstolos de Cristo [o Deus Verdadeiro], pois, como está escrito, os verdadeiros adoradores são os que adoram a Deus em Espírito e em Verdade!

O Espírito de Deus em nós Se expressa como essa “Mente de Cristo”.

Com a “Mente de Cristo”, que é real em nós, perceberemos o real, e a Verdade percebida e compartilhada pelo apóstolo de Cristo que disse: “Cristo é tudo e está em todos” [Colossenses 3, 11] será evidente!

Então, será evidente que Aquele que teve essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como Jesus é de fato “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

E será evidente também que Aquele que compartilha essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como algum “personagem” é na Verdade “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

E será evidente também que Aquele que desfruta essa percepção e que aparece para a “mente em ilusão” como você, é de fato “o Cristo, o Filho do Deus Vivo”!

Seja livre! Conheça a Verdade de que todos temos a “Mente de Cristo”!

Parta da Verdade para percebê-la, pois só assim ela pode ser percebida.

Parta da “percepção” que uma vez mais está aqui sendo compartilhada.

Perceba, desfrute  e compartilhe!


quarta-feira, outubro 11, 2017

O Reino de Deus está próximo (Osho)


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[...] Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo". (Mateus 4:17)

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo.
E sua fama se espalhou por toda a Síria; levaram-lhe então todos os enfermos tomados por diversas doenças e tormentos, os endemoniados, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou.
E foi seguido por grandes multidões da Galileia, das Dez Cidades, de jerusalém, da Judeia e do além Jordão. (Mateus 4: 23-25)


Uma vez pediram a um rabino que resumisse toda a mensagem da Bíblia. Ele respondeu que toda a mensagem era muito simples e curta. É Deus gritando para o homem: "Entronize-me!". Foi isso que aconteceu naquela manhã no rio Jordão. Jesus desapareceu, Deus foi entronizado. Jesus esvaziou a casa, Deus entrou. Ou você existe, ou Deus existe – os dois não podem coexistir. Se você insiste em existir, então abandone a busca de Deus; ela não se realizará. Dessa forma, a busca é impossível, absolutamente impossível. Se você estiver presente, então Deus não pode estar: a sua própria existência, a sua própria presença, é a barreira. Você desaparece... e Deus está. Ele sempre esteve.

O homem vive como uma parte, separado do todo. Ao redor de si, ele cria ideias, sonhos, o ego, a personalidade, e pensa em si mesmo como uma ilha, desconectado do todo, sem relação com o todo. Você já conseguiu ver algum relacionamento entre você e as árvores? Já conseguiu ver algum relacionamento entre você e as pedras? Já conseguiu ver algum relacionamento entre você e o mar? Se não conseguiu, então jamais chegará a ver o que é Deus. Deus, a divindade, não é nada mais que o todo, a totalidade, a unidade. Se você existe como uma parte separada, desnecessariamente existe como um mendigo. Você poderia ter sido o todo. E mesmo quando pensa que é separado, você não é – isso é apenas um pensamento na mente. O pensamento não está enganando Deus: está enganando somente você.

Naquela manhã no rio Jordão, quando João Batista iniciou Jesus, ele matou Jesus completamente. Jesus desapareceu. E naquele momento de vazio – aquilo que Buda chama de shunyata, vacuidade – os céus se abriram e o espírito de Deus, como uma pomba, desceu sobre Jesus, iluminando-o. Isto é apenas simbólico: Jesus morreu, Deus foi entronizado. Isto é o que no zen se chama de uma transmissão especial, fora das escrituras. Nenhum conhecimento foi transmitido por João Batista a Jesus, nenhuma escritura foi transmitida – nem mesmo uma palavra foi pronunciada. Nenhuma dependência de palavras ou letras, apenas um apontar direto para a alma do homem, uma penetração na natureza do homem – a obtenção do estado búdico.

Os cristãos perderam este pormenor: não foi conhecimento aquilo que foi transmitido de João Batista para Jesus; foi uma visão. Não foi verbal, foi existencial. Foi mais um conhecer do que um conhecimento. Os olhos foram transferidos, uma nova maneira de ver o mundo e estar no mundo foi transferida, uma transmissão especial, fora das escrituras. Eis porque Jesus imediatamente sentiu-se uno com Deus, mas banido dos Judeus. Os judeus são o "povo do livro". "Bíblia" não quer dizer nada além disso; simplesmente significa "livro". Os judeus são o "povo do livro" – o povo que tem acreditado tremendamente nas escrituras, que tem amado e confiado nas escrituras durante séculos.

Jesus tornou-se uno com Deus, mas imediatamente foi banido por sua própria tradição. Ele tentou de mil e uma maneiras permanecer parte da comunidade, mas foi impossível. Ele não podia fazer parte das escrituras, não podia fazer parte da tradição. Algo do além entrara nele, e, quando Deus entra, todas as escrituras se tornam inúteis. Quando você mesmo vem a conhecer, todos os conhecimentos se tornam lixo. 

Essa foi a luta entre Jesus e os rabinos. Eles tinham conhecimento, Jesus tinha o saber – e estes nunca se encontram. O homem do saber é rebelde, o homem do saber tem seus próprios olhos: ele diz o que quer que veja. O homem de conhecimento é cego: ele carrega a escritura, e nunca olha ao redor; segue apenas repetindo as escrituras. O homem de conhecimento é mecânico, não tem nenhum contato pessoal com a realidade.

Poucos dias atrás, eu estava lendo sobre um psiquiatra de muito prestígio em Nova York. Numa primeira consulta, ele disse ao novo paciente:

- Estou muito ocupado; na verdade, estou ocupadíssimo. Será que você pode me ajudar? A primeira entrevista é sempre de um lado só: você vai me dizer tudo o que quiser me dizer. Temos aqui um gravador. Se eu puder escutar e estudar todo o material mais tarde, num momento mais conveniente, será de grande ajuda. Você pode ligar o gravador e falar o que quiser... Diga tudo o que gostaria de dizer para mim e, mais tarde, eu escutarei.

O psiquiatra perguntou: - Está disposto?

O homem disse: - É claro. Está tudo perfeitamente certo.

O gravador foi ligado e o psiquiatra saiu da sala, mas dois minutos depois viu o homem deixando o consultório. Correu atrás dele e disse:

- Tão cedo? Você não deve ter falado muito no gravador!

O homem respondeu:

- Olha, também sou um homem muito ocupado. Na verdade, mais ocupado que o senhor. E o senhor não é o primeiro psiquiatra que consulto. Quando o senhor voltar para a sala, verá bem ao lado do seu gravador o meu pequeno ditafone falando com o seu gravador.

O conhecimento é exatamente assim. Ninguém está presente: ditafones falando com gravadores. Sua mente é apenas um gravador e as escrituras são os velhos ditafones – um antigo meio, mas ainda assim a mesma coisa. Alguém disse algo, ficou gravado ali. Mais tarde você lê e aquilo fica gravado no seu próprio gravador – mas não há nenhum toque pessoal.

O saber é pessoal, o conhecimento é mecânico. Através de uma abordagem mecânica, você nunca pode descobrir a realidade, a verdade. Será um caso morto. Você conseguirá muita informação, mas nunca atingirá a transformação. Você pode vir a saber muitas coisas, mas jamais saberá o principal: o ser que você é e o ser que o circunda – e o que o circunda é o mesmo que está dentro de você. Um profundo contato pessoal é necessário.

Naquela manhã no rio Jordão, Jesus entrou em contato pessoal com o divino. João Batista o iniciou para ser um nada.

Quando você vem a mim, não está vindo a um homem que sabe muito; está vindo a um homem que tem muito nada dentro de si. Eu posso compartilhar esse nada com você. No dia em que você se sentir pronto para compartilhar esse nada comigo, será iniciado.

Você pode estar aqui de dois modos. Você pode ser um estudante. Então, está relacionado comigo de um modo mecânico; você coletará informações de mim – o que nunca era pra ser feito. A partir de mim, você começará a saber de muito mais coisas. Isso é um vício. O ego pode se sentir mais forte, mas a alma se tornará cada vez mais e mais empobrecida. Ou você pode ser um discípulo e não um estudante. Então, você compartilha do meu nada. Então, pouco a pouco, você desaparece completamente; não há ninguém dentro de você que saiba – e esse ser ninguém é o único modo de conhecer. Nesse nada, seu coração está aberto; nesse nada a ilha desaparece e você vira o continente. Nesse nada, a separação desaparece: você se torna o todo. Então, o todo existe através de você.

O rabino que disse "Deus gritando ao homem: 'Entronize-me!'" estava certo. Jesus, Krishna, Maomé, Buda, Lao-Tsé, todos são gritos de Deus para o homem: Entronize-me!"...

Imediatamente Jesus começou a pregar.

Desde então Jesus começou a pregar...

Imediatamente! O conhecimento precisa de tempo, o sabe é imediato. Se eu quiser compartilhar o meu conhecimento com vocês, levará muito tempo, mas se eu quiser compartilhar o meu nada com você, o tempo não é necessário. Imediatamente, agora mesmo, é possível. O tempo não é uma exigência absolutamente, acontece numa fração de segundo.

Sempre que leio esse Evangelho, a coisa que me atinge imediatamente é esta: no momento em que Jesus foi batizado e os céus se abriram e o espírito de Deus desceu como uma pomba, ele saiu do rio, foi para a margem – uma multidão estava se juntando – e ele começou a pregar. Antes disso, ele nunca havia pronunciado uma única palavra; antes disso, não tinha ensinado nada a ninguém.

É assim que deve ser. Um professor pode continuar ensinando sem saber, mas não é um mestre. Professores há muitos; mestres há poucos. Um mestre é aquele que ensina através de seu saber e u professor ensina através de seu conhecimento. Um professor prepara-se durante anos, então ele pode ensinar. Mas um mestre, em um único momento de coragem, em um único momento de ousadia, em um único momento de um salto para dentro do desconhecido, torna-se capaz de ensinar. Uma vez que você saiba em você, esse próprio saber quer ser compartilhado; uma vez que você esteja cheio de graça, essa própria graça começa a fluir, começa a buscar o coração. Uma vez que você seja, você já está no caminho a ser compartilhado por muitos.

Jesus saiu do rio:

Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo"...

João Batista também estava dizendo a mesma coisa. Jesus podia ter dito a mesma coisa só por ter ouvido João Batista – ele era um pregador bastante conhecido, grandes multidões iam visitá-lo, um grande número de pessoas costumava esperar por ele, para ouvi-lo. Todo mundo sabia que sua mensagem era esta: "Arrependei-vos, pois o reino do céu está próximo". Jesus deve ter sabido disso, mas ele nunca havia pronunciado aquelas palavras antes.

Pronunciar palavras tão elevadas sem conhecer é um sacrilégio, é uma traição. Jamais pronuncie tais palavras a menos que você mesmo conheça, porque você pode destruir a mente dos outros. Você pode encher a mente das pessoas com seu lixo... se você não conhece, e continua dizendo coisas às pessoas, como acontece em todo mundo...

Vá e veja os sacerdotes nas igrejas, nos templos, nas mesquitas – eles continuam ensinando, continuam na pregação, sem conhecerem nada, seja o que for que estejam dizendo. Eles não estão cientes do que estão fazendo, absolutamente – ditafone! Eles aprenderam, mas não conheceram. Eles estudaram, ms não têm olhos próprios; seu coração está tão morto como o daqueles para quem estão pregando. Sua mente pode ser mais refinada, mas seu coração está tão doente quanto o de qualquer pessoa.

Jesus nunca pronunciara essas palavras antes. Ninguém tinha ouvido falar desse homem, Jesus, antes disso. Ele vivia na oficina de seu pai; ele trabalhava, ajudava seu pai. De repente, uma nova qualidade de homem, um novo homem, completamente novo, nasceu. O batismo é um nascimento.

Desde aquele exato momento ele começou a pregar e a dizer: "Arrependei-vos..." – porque agora ele podia pronunciar aquelas palavras com autoridade. Não eram as palavras de João Batista que ele estava repetindo; eram suas próprias palavras. Ele se arrependeu e ficou sabendo o que elas queriam dizer. Não arem palavras fúteis, palavras de papagaio; eram palavras grávidas, vivas. Ele tocou a realidade daquelas palavras, viu o mistério delas.

A verdadeira palavra em hebraico para "arrepender" é teshuvah. Teshuvah significa "retornar", e também "responder". Ambos os significados são belos. Retornar a Deus é responder a ele. Esta é uma das coisas mais belas do judaísmo, uma das maiores contribuições do judaísmo ao mundo. Isto tem de ser compreendido, porque sem isto você jamais será capaz de compreender Jesus.

O judaísmo é a única religião do mundo que diz que não somente o homem está em busca de Deus, mas Deus também está em busca do homem. Ninguém mais no mundo acredita nisso. Há hindus, muçulmanos e outras religiões e elas todas acreditam que o homem está em busca de Deus. O judaísmo acredita que Deus também está em busca do homem. E deve ser assim mesmo, se ele é um pai. Deve ser assim. Ele é o todo, e, se uma parte se extraviou, o todo – por pura compaixão – deve procurar a parte.

O judaísmo tem uma beleza própria. O homem buscar Deus é apenas como tatear na escuridão. A menos que Deus o esteja procurando, não parece haver nenhuma possibilidade de algum encontro. Como você o buscará, ele que é completamente desconhecido? Você não sabe o endereço – para onde dirigirá suas preces? Aonde irá, o que fará? Você pode apenas tatear, rogar e chorar; as lágrimas podem ser sua única prece. Um profundo desejo – mas como realizá-lo? Você pode queimar com ele, mas como chegar lá? O judaísmo diz: o homem pode buscar, mas não encontrará, a menos que Deus assim queira.

Deus está ao alcance, mas você não pode agarrá-lo. Você pode estender suas mãos – ele está ao alcance, mas não pode ser agarrado. Ele está ao seu alcance, porque ele também está buscando por você. Ele pode encontrá-lo imediata e diretamente, ele sabe exatamente onde você está. Mas ele não pode buscá-lo, a menos que você esteja na busca. Ele só pode busca-lo quando você está buscando, quando você está fazendo tudo o que pode ser feito, quando você não está escondendo nada, quando sua busca é total. Quando sua busca é total, imediatamente o céu se abre e o espírito de Deus desce em você. Ele está esperando, esperando com uma profunda ânsia de encontrá-lo.

Isso deve ser assim, porque a existência é um caso de amor, uma brincadeira de esconde-esconde, um jogo. A mãe está brincando com o filho e se escondendo. A mãe está esperando o filho e, se o filho não vier, a mãe começará a procurá-lo. Mas Deus lhe dá total liberdade. Se você não quiser buscá-lo, ele não interferirá, não será um intruso; se você quiser buscá-lo, somente então, ele baterá à sua porta. Se você tiver convidado, somente então o convidado vem. O convidado pode estar apenas esperando para bater à porta; só é necessário seu convite. Caso contrário, ele pode esperar pela eternidade, não há pressa. Deus não tem nenhuma pressa.

"Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo." Teria sido absolutamente diferente se a palavra não fosse traduzida como "arrepender", se fosse deixada de acordo com o termo original "retornar".Como em Patanjali, quando se refere nos Yogas Sutras ao termo pratyahar, que significa "retornar a si mesmo". É também o que Mahavira quer dizer com pratikraman, "voltar-se para dentro".

A palavra teshuvah tem um significado totalmente diferente de "arrepender-se". No momento em que você diz "arrepender", parece que o homem é um pecador: implica em uma profunda condenação. Mas se você diz "retornar", não há nenhuma questão de pecado, não entra nenhuma condenação. Simplesmente diz que você foi muito longe, foi brincar longe demais – por favor, volte. O filho está brincando fora de casa e a noite está caindo. O sol está se pondo e a mãe chama: "Por favor, volte para casa". Uma qualidade totalmente diferente, uma conotação totalmente diferente. Não há nenhuma condenação nisso, só um profundo amor que chama: "Retorne!".

Ouça a frase, quando eu digo assim: "Retorne, pois o reino dos céus está próximo." Toda condenação, todo pecado, todos os absurdos que criaram culpa no homem desaparecem: apenas com a mudança de uma única palavra traduzida corretamente. Uma única palavra pode ser significativa. Todo o cristianismo desaparecerá se, em vez de "arrepender", a tradução for retornar. Todas as igrejas, o Vaticano, tudo desaparecerá, porque eles dependem do arrependimento.

Se é uma questão de "retornar" – e vocês não estão condenados e não cometeram nenhum pecado – então... a culpa desaparece. E, sem culpa, não pode haver igrejas; sem culpa, os padres não podem viver. Eles exploram a culpa, eles o fazem sentir-se culpado – este é o traçado secreto deles. Uma vez que você se sinta culpado, precisa buscar a ajuda deles, porque eles pedirão perdão por você, rezarão por você; ele sabem como rezar. Eles estão num relacionamento mais profundo com Deus. Eles o defenderão, persuadirão a Deus em seu favor e lhe mostrarão o caminho para não ser um pecador novamente, para ser virtuoso. Eles lhe darão os mandamentos: faça isso e não faça aquilo.

Todas as igrejas do mundo se fundamentam na palavra "arrependimento". Mas, se é somente uma questão de retornar, o padre não é necessário; você pode retornar para casa. Não é uma questão de condenação: não é preciso ninguém para purificá-lo; você nunca esteve errado. Você tinha ido um pouco longe demais, mas não há nada de errado nisso. Na verdade, não teria acontecido dessa forma, se Deus não estivesse querendo que você fosse tão longe assim. Deve haver algo nisso: esse afastar-se deve ser um modo de retornar. Porque quando você foi longe demais e depois volta para casa, pela primeira vez você percebe o que é o lar.

Dizem que os viajantes em terras estrangeiras percebem pela primeira vez como é belo o lar. É difícil perceber enquanto você está em casa: tudo é tomado como garantido. Mas quando você vai embora, agora, tudo se torna difícil. Você não está mais em casa, não pode tomar nada como garantido. Há mil e uma inconveniências, desconfortos – e não existe ninguém ali para cuidar de você, você tem de cuidar de si mesmo. Ninguém se importa: você anda num mundo estranho, é um estrangeiro.

Em contraste, de repente, pela primeira vez surge o significado do lar. Antes era só um lugar para se viver nele, agora é um lar. Agora você sabe que casas são diferentes de lares. Uma casa é apenas uma casa; um lar não é apenas uma casa, é algo mais – mais amor. Talvez seja necessário que o homem se extravie um pouco – saia da trilha, entre na vastidão do deserto. Desse modo, em contraste, voltar para casa torna-se significante, significativo.

Eu digo "retorne", não digo "arrependa-se". Jesus nunca disse "arrependa-se". Ele teria rido da palavra, porque a coisa toda foi corrompida por essa palavra. As igrejas sabem muito bem que a palavra é uma tradução errada, mas continuam insistindo nela, porque ela se tornou o seu fundamento. Retornar é tão simples: depende de você e de seu Deus; nenhum mediador é necessário.

Desde então Jesus começou a pregar e dizer: "Arrependei-vos, pois o reino de Deus está próximo."...

Outro significado da palavra hebraica teshuvah é "responder". Seu retorno é sua resposta. Resposta a quê? Resposta ao grito "Entronize-me!". A resposta ao apelo que Deus está fazendo a você: "Retorne para casa".

Esta é novamente uma bela contribuição do judaísmo. Cada religião contribui com alguma coisa original. O judaísmo diz: "Deus faz o apelo, o homem responde".

Comumente, outras religiões dizem que o homem faz o apelo e Deus responde. O judaísmo diz: "Não, Deus faz o apelo, o homem responde."

No momento em que você responde, esse é o retorno. No momento em que o filho diz: "Sim, estou indo" – ele já está no caminho. Você ouviu o apelo? Se não o ouviu ainda, como será capaz de responder?

As pessoas vêm a mim e perguntam:

– Onde está Deus?

Eu digo:

– Esqueçam-se de Deus; vocês já ouviram o chamado?

Elas perguntam:

– Que chamado?
– O chamado que Deus faz!

Se você não ouviu o chamado, não pode saber onde Deus está. No momento em que você ouve o chamado, a direção fica clara – no momento em que você ouve o chamado, que surge no seu ser, no âmago mais profundo do seu ser, ele se torna uma busca constante no seu coração: Quem é você? Por que está aqui? Por que continua existindo? Para quê?

Se o chamado surge em seu coração, você saberá que é Deus, porque quem está fazendo a pergunta? Você não pode fazê-la. Você está inconsciente, num sono profundo – não pode perguntar. Em algum lugar mais profundo dentro de você, Deus está fazendo a pergunta: "Quem é você?". Se você ouviu a pergunta, sabe a direção. E a resposta somente pode ser: "Retorne! Siga esta direção, volte para casa".

Só que suas perguntas têm sido falsas. Você não as ouviu dentro de si: outra pessoas as ensinou a você. Suas perguntas são falsas e, então, suas respostas se tornam falsas. Você aprendeu a perguntar com os outros, aprendeu a resposta com os outros. E você mesmo permanece uma falsificação.

Certa vez fui com uma migo visitar o Taj Mahal. Ele era um bom fotógrafo. Não tinha tempo para ver o Taj Mahal, e o via através das lentes da câmera. Eu lhe disse:

– Nós viemos aqui para ver o Taj Mahal.

Ao que ele me respondeu:

– Esqueça isso. Ele é tão lindo que eu prefiro levar as imagens para vê-las em casa!

Mas aquelas figuras estão disponíveis em todo lugar – qual é a necessidade, então, de vir ao Taj Mahal? A visão direta é perdida.

O primeiro filho de meu outro amigo nasceu. Ele estava sentado com o garoto, um menino pequeno – lindo. Eu lhe disse:

– Que lindo!

Ele me respondeu:

– Isto não é nada... você precisa ver as fotografias!

Falsificação... Tudo se torna cada vez mais e mais indireto. Então, perde-se o toque de realidade, a concretude, a clareza. E a coisa vai ficando distante, bem distante. 

A resposta só pode ser verdadeira se a pergunta foi realmente ouvida. Todo dia encontro alguém que diz: "Quero meditar, quero buscar, mas nada acontece!". A pessoa reclama como se a existência não tivesse sido justa com ela – "Nada acontece!". Mas olho dentro dos olhos dela: seu desejo é falso. Em primeiro lugar, ela nunca quis meditar; veio como parte de um grupo. Ou estava de férias e pensou: "Vamos ver o que há por lá". Não está acontecendo nada. Nada pode acontecer, porque a meditação, oração, Deus, não são questões técnicas. Você pode aprender a técnica, mas nada acontecerá, a menos que o chamado tenha sido ouvido primeiro, a menos que tenha se tornado um profundo desejo em você, pelo qual pode arriscar a sua vida; a menos que tenha se tornado uma questão de vida e morte; a menos que tenha penetrado no centro do seu ser – a menos que tenha se tornado uma dor e uma angústia profundas. Se o chamado é ouvido, então a resposta...

Podemos traduzir esta frase de dois modos: "Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: 'Arrependei-vos,' pois o reino de Deus está próximo". Ou podemos traduzir assim: "Retorne, pois o reino de Deus está próximo". Ou "Responda, pois o reino de Deus está próximo".

E o reino de Deus está sempre próximo, é da natureza dele. Não tem nada a ver com a época de Jesus: agora mesmo isso é verdade, exatamente como era então. Era verdadeiro antes de Jesus e será sempre verdadeiro. O reino de Deus está sempre à mão – tateie. As mãos dele estão sempre procurando por você, mas você não está tateando. Responda, retorne e o reino está disponível, só que você não está pronto para ir na direção dele. Você tem medo de perder algo que não tem, e por causa desse medo não pode atingir aquilo que tem estado sempre ao seu dispor.

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo... (Mateus 4:23)

Isto tem de ser compreendido sob uma luz totalmente nova – e não do jeito que os cristãos tentaram, mas sob uma luz totalmente nova, a nova luz que a ciência moderna trouxe para o fenômeno da enfermidade.

Uma doença, qualquer enfermidade, surge primeiro na mente e depois se dirige para o corpo. Pode levar um longo tempo para chegar a corpo – trata-se de uma longa distância. Você não tem consciência dela quando ela está na mente; você só se torna ciente quando ela explode nas raízes do corpo. Você sempre sente a doença no corpo, mas ela se origina sempre na mente. Você não está ciente dela então; assim, você nada pode fazer quanto a isso. Mas quando ela vem para o corpo, então, naturalmente, você começa a procurar um médico, sai em busca de auxílio. O médico, vendo-a no corpo, começa a tratá-la no corpo. Ela pode ser tratada no corpo - mas então alguma outra doença surgirá, porque o tratamento não atingiu a fonte, o lugar das causas. Você muda o efeito, mas não a causa.

Se a mudança puder acontecer na mente, então a doença desaparecerá do corpo imediatamente. É isso que a moderna pesquisa sobre hipnose prova: que toda doença, pelo menos no princípio, pode ser transformada, mudada, ela pode sumir se a mente for mudada. E o inverso também é verdadeiro: se a mente for convencida pela hipnose, então a doença pode ser criada também.

Dois ou três dias atrás, alguém me enviou um artigo de profunda significância. Um homem – um médico, um médico na Califórnia – tratou muitos pacientes de câncer apenas através da imaginação. Esta é a primeira chave que abre a porta... E não só um paciente, muitos.

O que ele faz: ele simplesmente pede aos pacientes que imaginem. Se eles têm câncer de garganta, ele lhes diz para relaxar e imaginar que toda a energia do corpo se move para a garganta e o tumor vai sendo atacado pela própria energia deles, exatamente como flechas vindas de todos os lados, movendo-se em direção à garganta e atacando a doença. Dentro de três, quatro ou seis semanas o tumor simplesmente desaparece sem deixar um traço atrás. E o câncer é considerado incurável!

O câncer é uma doença moderna: ele se deve ao estresse, à tensão e à ansiedade da vida. Não há, na verdade, até agora, nenhuma cura para ele através do corpo. Mas se o câncer pode ser tratado através da mente, então tudo pode ser tratado através da mente.

Os milagres de Jesus aconteceram porque as pessoas confiavam muito. Uma vez, enquanto Jesus caminhava, uma mulher, uma mulher muito pobre, tentava se aproximar dele, e estava muito apreensiva, temendo que Jesus não a pudesse tratar, porque ele estava, como sempre, cercado por uma pequena multidão... A mulher pensou consigo mesma: "Basta um toque na roupa de Jesus, por trás..." E ela se curou.

Jesus olhou para trás e a mulher começou a agradecê-lo. Ela caiu a seus pés, em gratidão. Ele disse: "Não seja grata a mim, seja grata a Deus. Sua fé a curou, não eu".

O mundo era cheio de confiança; as pessoas estavam enraizadas na fé. Então, apenas a ideia de que "se Jesus tocar em meus olhos, eles serão curados e se abrirão", e a própria ideia se torna a raiz causal da cura. Não é que Jesus cure: se você for cético, então Jesus não pode fazer nada, ele não será capaz de curá-lo.

Eu estive lendo uma história.

Um dia Jesus estava fugindo de uma cidade. Um camponês o viu correndo e lhe perguntou:

– O que houve? Para onde o senhor está indo?

Mas Jesus estava com tanta pressa que foi adiante sem responder. Então o camponês o seguiu, conseguiu pará-lo por um instante e disse:

– Por favor, me diga, pois fiquei muito curioso. Se não me disser, vou segui-lo sem parar. Por que está correndo? Para onde? De quem o senhor está fugindo?

Jesus respondeu-lhe:

– De um tolo.

O camponês começou a rir e disse:

– O que o senhor está dizendo!? Eu sei que o senhor já curou gente cega, já curou gente estava morrendo. Já ouvi até dizer que o senhor curou gente que estava morta! O senhor não pode curar um tolo?

E Jesus respondeu:

– Não. Eu tentei, mas não posso, porque ele é um tolo e não acredita. Já curei todos os tipos de doença e nunca falhei, mas com esse tolo não foi possível. Ele vive o tempo todo atrás de mim dizendo: "Cure-me!" Tentei de todas as formas possíveis mas não adianta. É por isso que estou fugindo da cidade.

Um tolo não pode ser curado... e um tolo não pode ser hipnotizado. De modo geral, acredita-se que as pessoas muito inteligentes não podem ser hipnotizadas. Isso é absolutamente errado. Somente os tolos, os idiotas, os loucos, não podem sem hipnotizados. Quanto maior é a inteligência, maior é a possibilidade de ir fundo na hipnose – porque na hipnose sua confiança é necessária; o requisito básico é a sua confiança, o requisito básico é a sua cooperação, e um idiota, um louco, não coopera e não confia.

Jesus podia fazer milagres. Esses milagres eram simples; aconteciam porque as pessoas confiavam. Se você confia, o interior da mente começa a funcionar, espalha-se por todo o corpo e muda tudo. Mas se você não confia, então nada acontece. Até mesmo a medicina comum o ajuda porque você confia nela. Já observou que, sempre que um novo medicamento é criado, ele funciona muito bem de seis meses a dois anos – as pessoas são afetadas por ele. Mas depois de seis, oito, dez meses, ele não funciona tão bem. Os médicos têm se interrogado: "o que acontece?"

Sempre que um novo remédio é inventado, você acredita nele mais do que no velho medicamento. Agora você sabe que a panaceia está ali e "ela vai resolver". E ela resolve!

A confiança num novo medicamento, numa nova descoberta, ajuda. Eles falam sobre o medicamento nó rádio, na TV, nos jornais, e cria-se um clima de confiança e esperança. Mas depois de alguns meses, depois que muitos já tomaram aquele remédio – e alguns tolos também o tomaram e não puderam ser ajudados –, a suspeita surge, "porque aquele homem tomou o remédio e nada aconteceu!". Esses tolos, então, criam o anticlímax, e depois de algum tempo o remédio perde seu efeito.

Ainda mais do que o remédio, o médico ajuda se você confia nele. Você já observou que quando está doente e o médico chega, se você confia nele, sente um alívio só com a sua chegada? Ele ainda não lhe deu nenhum remédio, apenas examinou o seu corpo – tirou a pressão, isso e aquilo – e você já se sente 50% melhor. Chegou um homem em quem você confia. Agora você não precisa carregar o peso sozinho; pode deixá-lo com ele e ele verá o que fazer. Se você não confiar no médico, ele não poderá fazer nada.

Na medicina, eles dão o nome de placebo a um certo remédio. É só água, farinha, ou algo que não tem nada a ver com a doença. Mas se ele for dado a você por um médico em quem você confia, aquilo ajuda tanto quanto o remédio real; não há diferença.

A mente é mais poderosa do que a matéria; a mente é mais poderosa do que o corpo.

[...] E Jesus percorreu toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda espécie de males e de doenças entre o povo. E sua fama se espalhou por toda a Síria; levaram-lhe então todos os enfermos tomados por diversas doenças e tormentos, os endemoniados, os lunáticos e os paralíticos; e ele os curou. E foi seguido por grandes multidões da Galileia, das Dez Cidades, de jerusalém, da Judeia e do além Jordão. (Mateus 4: 23-25)

Jesus era mais um curandeiro do que um professor. Um curandeiro não apenas do corpo, não apenas da mente, mas da alma também. Ele era um médico, um médico da alma. É como todo mestre tem de ser.

Você está dividido interiormente, está fragmentado, não é um todo. Se você se tornar inteiro, está curado. Se as tensões em relação ao futuro e as tensões acumuladas do passado desaparecerem de dentro de você, você será curado, suas feridas desaparecerão. Se você puder estar no presente – no Agora –, estará inteiro, completamente vivo, totalmente vivo, e um profundo regozijo acontecerá em você.

Jesus não é um filósofo transmitindo algum dogma para as pessoas. Ele está tentando ensinar confiança, e, se a confiança acontece, tudo se torna possível. E ele diz: "A fé remove montanhas". Pode não ser as montanhas que existem no exterior, mas as montanhas de ignorância, as montanhas de feiura, as montanhas de inconsciência que existem no seu interior. Ele não tem um credo, um dogma. Ele está, na verdade, desprendendo de si uma força curativa. Todo seu esforço é ajudá-lo a retornar para Deus. Eis porque ele disse: "Não agradeça a mim. Agradeça a Deus".

E ele também diz: "Foi a sua fé que o curou". Nem mesmo Deus pode curar você – só a sua fé. A insistência de Jesus é na fé. E lembre-se da diferença entre fé e crença: crença é uma ideia; fé é uma realidade total, uma reverência pelo todo. Crença é da mente; fé é da sua totalidade.

Quando você acredita em Deus, você acredita num Deus do filósofos. Quando você acredita em Deus, Deus é uma ideia, uma doutrina. Ele pode ser provado e contestado, sem nunca o transformar. Mas, se você tem fé, isso já o transforma. Eu não direi que a fé vai transformá-lo. Se você tem fé, ela já o transformou. A fé não conhece nenhum futuro, ela é imediatamente efetiva. Mas a fé não é da cabeça. Quando você tem fé, você tem fé em seu sangue, em seus ossos, em sua medula, em seu coração. Você tem fé em todo o seu ser. Um homem de fé é um homem de Deus.

Todo esforço de Jesus é para trazê-lo de volta para casa. Sim, Deus está gritando através dele: "Entronize-me!" Se você tiver fé, se tornará disponível e Deus será entronizado em você. Esse é o único modo de se estar cheio de graça. A menos que Deus seja entronizado em você, você permanecerá um mendigo, permanecerá pobre, permanecerá doente. Você nunca será inteiro e saudável, nunca conhecerá o êxtase da existência, nunca será capaz de dançar, rir e cantar e simplesmente ser... – somente se Deus for entronizado em você, e isso significa que você foi destronado e Deus ficou no seu lugar.

Assim, esta é a escolha, a maior escolha com a qual o homem se depara: ou ele continua no trono... ou deixa o trono e permite Deus entrar.


segunda-feira, outubro 09, 2017

Samsara: O Oceano de sofrimento


 - Mooji - 


Vamos investigar juntos.

Onde o Sansara começa?
Eu vou mostrar a vocês.
Ele começa quando você diz "eu" e assume o "eu" com um sentido pessoal, como sendo uma pessoa.
Então "vualá"... você tem Sansara!

Eu não quero dar a você respostas filosófica, isso não vai ajudá-lo.
Eu não quero dar a você uma resposta religiosa. Isso também não irá ajudá-lo.
É necessário que eu lhe dê uma resposta prática.

Você quer encontrar o fim, ou pôr um final a uma determinada coisa? Descubra onde ela começa. E então vá para antes desse início.

Como ela começa? Porque todos os seres dizem "eu". Naturalmente, ninguém ensinou a você a palavra "eu". Todas as demais palavras você aprendeu. Mas quem lhe ensinou "eu"? Essa é a grande mãe de todas as outras palavras. Porque quando você diz "eu", você não questiona esse "eu"... e todas as outras coisas você questiona.

Quando você diz "eu" e o toma como sendo pessoal – "eu sou uma pessoa" –, é exatamente aí que o Sansara começa.

Sansara significa: o oceano de sofrimento. É quando a vida está cheia de delusões, confusões, julgamentos, medos, ansiedades, depressão, promessas quebradas, sonhos desvanecidos... então o ser está cansado, frustrado, infeliz. Isso é Sansara.

Como parar isso?

Você o faz quando investiga: "para quem é este Sansara?", "Quem sente o impacto do Sansara?", "Quem sofre o Sansara"?

Porque se o sofrimento está aqui (em "mim"), a resposta também deve estar aqui. Quem está sofrendo Sanrara?

Se você diz "sou eu quem o está sofrendo" – e essa é a resposta mais natural, mais espontânea –, então eu irei pedir isso a você: "Mostre para mim o sofredor. Quem, exatamente, é esse que diz eu estou sofrendo?".

Talvez pareça estranho de minha parte estar perguntando isso a você. Porque você está tão convencido: "sou eu quem sofre, é claro!". Mas eu não estou perguntando a você "Quem", compreende? O que eu estou pedindo a você é: "Ajude-me a ver, ajude-me descobrir".

Mas você insiste: "sou eu quem o sofre!" – Esse é exatamente o lugar onde o sofrimento começa. Você está totalmente convencido de que você (enquanto "eu" pessoal) é aquele que o está sofrendo.

A resposta para este enigma do Sansara é encontrada exatamente aqui por detrás desse sentimento de existência do "eu" pessoal. A resposta subjaz ao sentimento de que "eu sou uma pessoa".

Tal sentimento do "eu" é concebido por todos como sendo um fato. E eu quero que você veja que na verdade ele é uma ficção e, então, encontre aquilo que é o fato. Quem é você enquanto fato, e não como ficção?

Se nós compreendermos este ponto, tudo estará resolvido.

Quem é aquele que está sofrendo Sansara? Pois todos estão reivindicando: "Por que você pergunta isso, Mooji? É claro que sou eu quem está sofrendo. Apenas estenda sua mão e me tire daqui".


sexta-feira, outubro 06, 2017

Ilusão: O "nada" aparecendo como "algo"

 - Joel S. Goldsmith - 


Se for chamado a dar ajuda espiritual a alguém, tente abandonar a prática de fazer afirmações e negações. É uma verdade sagrada que Deus é o único agente de cura. Uma ilusão deverá ser dissipada; porém, seria tolice crermos que isso possa ser feito pela mente humana. Assuma como absoluta a frase de Jesus: “Eu, de mim mesmo, nada faço.”

Eis a atitude que devemos tomar: sentados, de olhos fechados, deixarmos que o vento se manifeste. 

O trabalho será assim realizado. 

A cura ocorrerá por não depender de conhecimento ou de compreensão humana da Verdade. A confiança em Deus, na própria Verdade, dissipará a ilusão da mente mortal. O Verbo divino expresso será a prece. Não há nada neste mundo que não se possa realizar mediante o recebimento do Verbo divino no pensamento. O erro ou o mal, sendo irreal – um sentido ilusório – não pode ser exteriorizado (nunca pode ser uma pessoa, lugar ou coisa). 

Você não viverá harmoniosamente enquanto não entender a natureza da ilusão como sendo uma forma de hipnotismo coletiva, ou crença universal. Até então, irá temer ou odiar esta ou aquela forma de ilusão.

Mas a ilusão, independentemente da forma com que possa aparecer – se como pessoa ou condição – não é para ser temida, odiada, vencida ou destruída: é simplesmente para ser reconhecida como NADA.

Pecado, doença e morte não são problemas: são as formas sob as quais a ilusão única aparece. O mal é sempre ilusão, embora possa aparecer como pessoa, condição falta ou limitação. Quando a ilusão é tratada como hipnotismo – o "nada" querendo ser "alguma coisa" – ela desaparece em sua nulidade. 

Lutar contra seria fatal. Sempre aquilo que estiver aparecendo como mal estará sendo meramente uma sugestão mental agressiva. 

E você, com esta percepção irá vê-la se auto-destruindo. Assim, diante de qualquer tipo de ilusão de mal, lembre-se: ela não tem poder algum para ser além do que é: miragem, nada. 

Para ilustrar essa nulidade do mal, analisemos uma parábola oriental do homem que confundiu uma corda enrolada com uma cobra:

“Por volta de 500 A.C. Foi escrito: 

É Fácil acontecer de um homem, ao se banhar, pisar numa corda e imaginar que se trate de uma serpente.  Ficará aterrorizado e tremerá de medo, antecipando todo o sofrimento causado pelo veneno dentro de seus pensamentos.  Que alívio não irá sentir ao  perceber que a corda não é uma serpente!  A razão de seu susto era o seu erro, sua ignorância, sua ilusão. Se a natureza verdadeira da corda for reconhecida, ele recuperará a sua tranquilidade mental: ficará alegre e feliz. Este é o estado mental daquele que reconhece que não existe nenhum ego pessoal, e que a causa de todos os seus problemas e cuidados é uma miragem uma sombra um sonho.”

Ao senso material, pecado e doença aparecem como entidades reais, tendo substância, lei, causa e efeito. Ao senso material, o pecado e a doença parecem sólidos e pessoais.

Mas, para a consciência espiritual, ambos são irrealidades, existindo apenas como o produto da crença universal numa identidade separada de Deus.

Na metafísica, as curas do pecado e doença surgem à medida da conscientização da infinitude – da totalidade absoluta da eterna Vida e suas manifestações, e da irreal natureza de qualquer forma da ilusão.


segunda-feira, outubro 02, 2017

Perceba Quem sou!

- Núcleo -


MARAVILHOSO!

Isso Sou Eu!

Essas mensagens vêm do Núcleo, Fonte ou Essência de Quem Sou...

Eu… estou aparecendo como os autores de todos estes textos…

Eu… estou aparecendo como os divulgadores destes textos…

Eu… estou aparecendo como cada um dos leitores destes textos…

Sim, Sou Eu!

Sou Aquele que Vive em você;

Sou Quem percebe em você;

Sou Aquele que te conduz:

Do irreal ao Real;

Das trevas à Luz;

Da morte à Imortalidade…

Sim, sou a Consciência que te faz consciente de Quem Somos…

Eu Sou em você a percepção de que só há Um de nós…

E somos inseparáveis como a paciência e a sabedoria…

Eu Sou Alfa e Ômega; Princípio e Fim de todas coisas.

Estou em você e em tudo; e tudo está em Quem Sou…

Eleve-se em percepção!

Interaja Comigo!

Você pode!

Sim, você pode porque Eu posso!

Sou Eu em você Quem tudo pode…

Aja percebendo Quem age em você…

Aja com renúncia aos frutos da ação…

Então perceba que Sou Eu Quem age!

Aja com essa consciência de unidade Comigo.

Dê cada passo consciente de que Sou Eu Quem dá os passos…

Siga seu caminho consciente de que Eu Sou o Caminho!

Seja verdadeiro e consciente de que Eu Sou a Verdade!

Viva sua vida consciente de que Eu Sou a Vida!

Perceba que é somente por Mim que se vem a Mim…

Sinta aquela percepção em você que Me percebe!

E saiba que essa percepção em você é a Minha…

Concentre-se nesta percepção que Me percebe!

Contemple tudo o que ela te faz contemplar…

Então medite! Perceba-se Um Comigo.

Meditar é perceber!

Perceber o que É!

É perceber o Real…

É perceber-Me…

E perceber-Se…

Sim, medite!

Você pode!

Eu posso!

Sou você!

Sou Eu…


sábado, setembro 30, 2017

A Palavra de Deus separa a "Alma" do "Espírito"


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"Se o budismo até hoje pregado não tem ajudado muito as pessoas na vida prática, é porque, apesar de reconhecer no homem a natureza búdica, considera essa natureza búdica como mera potencialidade adormecida que poderá vir a revelar-se futuramente, e não como uma força viva e ativa que está presente no ser humano, aqui e agora. Na 'Sutra do Lótus', capitulo 'Despertar no Futuro', encontramos frases tais como: 'Após bilhões de anos, poderás tornar-te buda', que fazem supor que o despertar da natureza búdica do homem seja uma promessa a se cumprir num futuro muito distante e que, portanto, nada tem a ver com a vida presente. Isso não traz nenhum apoio na vida prática. Por melhores que sejam as possibilidades futuras, se admitíssemos que o que domina a vida presente é apenas a vontade cega chamada ilusão, esta vida só poderia ser sombria. Eu admitia isso e, consequentemente, vivia deprimido e com constantes problemas de saúde." (Masaharu Taniguchi. Livro: A Verdade da Vida, volume 20 pág. 65)


Divinos Personagens,

Comentando o trecho acima citado do livro A Verdade da Vida, no mesmo livro o Mestre Masaharu Taniguchi relata que: 

"Eu havia negado o Criador misericordioso, onisciente e onipotente, afirmando que esse mundo é produto das ilusões, e essa crença não me proporcionou, em absoluto, a paz e a felicidade."  

Note bem, ele passou por isso, negou o Criador e viveu essa crença, para que ninguém mais precise passar por isso, por essa crença equivocada. A negação "do Criador misericordioso, onisciente e onipotente, que afirmava que esse mundo é produto das ilusões" vinha da mente do personagem que o Mestre estava representando antes do episódio de sua iluminação. O Mestre sempre foi QUEM É antes e depois de Ser Iluminação. E foi isso que ele Percebeu na experiência da iluminação. Isso é assim porque somos o Ator subjacente ao nosso personagem. Não altera a Realidade a crença que temos sobre quem somos. Mas altera a Representação!

Permita-me enfatizar esse ponto. A crença que temos sobre quem somos não altera a Realidade, mas altera a Representação!

Portanto, nossa crença importa enquanto nos identificamos como sendo alguém vivendo num mundo material. Quando percebemos que somos Filhos de Deus, ou seja, que temos a mesma natureza do nosso Pai, que está no Céu (Realidade) a Representação se altera! Passamos a nos ver a nós mesmos e também aos outros como Filhos de Deus, seres divinos, Iluminados. A ilusão da dualidade se esvai e mesmo continuando neste mundo (Representação) sabemos que não somos deste mundo. 

Voltando a narrativa do Mestre, ele descreve este fato na experiência de Iluminação quando Percebeu que a mente em ilusão (mente do personagem) não evolui e alcança o Despertar por meio da iluminação. Percebeu que sempre foi um ser Iluminado assim como Sakyamuni e Jesus, que mesmo estando neste mundo sabiam que não eram deste mundo, sabiam que tinham a natureza de Deus e expressaram sua visão unitária, sua Percepção de unidade com Deus.

Essa conscientização sobre nossa filiação divina nos eleva da lei para a graça! 

Não é o Espírito que nos faz sentir separados de Deus, mas a alma. A alma em nós é o personagem. O Espírito Santo em nós é o Ator.

Os cinco sentidos, todas as sensações, a razão, a crença (equivocada) estão na alma. A fé (a Percepção do Real) está no Espirito! Por isso foi compartilhada a Percepção de que "o justo viverá pela fé".  "Justo" significa ajustado ao padrão, que é o Espírito Santo!

O padrão real é o Espírito, não a alma. O Espírito tem a Percepção do real; a alma tem a visão encoberta (tsumi). Não podemos seguir a dois senhores: ou acreditamos naquilo que vemos com os cinco sentidos, com nossa lógica, com nosso condicionamento mental, ou acreditamos nas Revelações Divinas, que aparecem como as Escrituras Sagradas, como os ensinamentos dos Mestres.

Os que quiserem se perceber na Representação como seres Iluminados devem agir pela fé! Agir pela fé significa conhecer a Revelação e se engajar na ação, conforme a Revelação. Na Bíblia está escrito que: "A palavra de Deus é mais eficaz que uma espada de dois gumes e é capaz de separar alma do Espírito."

Decida: QUEM É o seu Senhor? A quem você escolhe seguir?

Sua alma, com todas as suas certezas mentais, suas razões e sua lógica? Ou Espírito daquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos?

O Mestre Masaharu Taniguchi abandonou sua crença equivocada e seguiu a Revelação Divina passando a agir conforme essa Percepção. Então abandonou a crença de que não tinha condições de publicar a revista Seicho-No-Ie para a iluminação da humanidade e contra todas as evidências dos cinco sentidos o fez e assim deu início ao movimento de Iluminação da Humanidade! 

Uma observação final: quem segue a verdadeira Seicho-No-Ie é aquele que põe em prática as Revelações Divinas, o ensinamento do Mestre! Isso independe de estar vinculado a este ou àquele movimento!  Esteja onde estiver coloque em prática o ensinamento de que o Homem é Filho de Deus! Aja com a consciência de que sua vida é a Vida de Deus e que o mesmo vale para aquele que aparece como o próximo!  Os olhos da mente (alma) nos fazem ver o próximo como outro, separado de nós. A visão do Espírito nos faz conscientes de que o único Ser Real É Deus! Então percebemos que tudo está na Consciência desse Ser Único, cada um de nós e tudo mais.

Nas Revelações essa Percepção é expressa como: "Cristo é tudo em todos".

A paz seja com todos!

quarta-feira, setembro 27, 2017

Cosmologia e os Segredos da Existência

- Gustavo -


Recentemente tive a oportunidade de conversar com meu amigo Dr. Luiz e elaborar um texto expondo a compreensão que tenho sobre Deus, o Filho de Deus, a Realidade e a Representação – ou seja, sobre a Existência como um todo – e o que nós, como humanidade, temos a ver com toda essa história. Para mim foi uma ótima oportunidade de poder colocar no papel coisas que guardava somente para mim, por nunca ter tido a oportunidade de compartilhar isso com ninguém em lugar nenhum. Uma vez que essa oportunidade surgiu, eu consegui colocar em palavras as muitas informações de que tinha conhecimento, e que eram difíceis de explicar de forma sistematizada. Agora que isso aconteceu, quero deixar registrado neste blog para que esse conhecimento facilitado não se perca.

Inicialmente quero dizer que tenho plena convicção das coisas que tenho a compartilhar neste texto, pois tudo está em consonância com um sério estudo que há anos faço das principais religiões e escrituras espirituais do mundo, bem como de ensinamentos de vários mestres de diversas linhas e tradições filosóficas. Ao longo de todo esse tempo, tenho encontrado muita harmonia, conexão, coerência e unidade nos vários ensinamentos, todos apontando em uma única direção (cada um a sua maneira). A direção apontada por todos eles é para uma consciência de Unicidade.

Mas, além dos conhecimentos adquiridos, minha convicção está amparada em experiências interiores que aconteceram para corroborar tudo o que vim aprendendo através dos estudos ao longo dos anos. Portanto, o que vou expor não é apenas fruto de aprendizados intelectuais, mas de experiências e revelações interiores que tive a graça de ter. Tenho certeza de que, ao longo de toda a minha busca espiritual, tenho sido guiado por uma Presença / Inteligência Divina no sentido de conhecer e aprender tudo com que já me deparei e experienciei até hoje.

Quero começar falando sobre Deus e a natureza de Deus.

Deus é Infinito. Eterno. Ele não muda (Malaquias 3:6). Ele é o mesmo, ontem, hoje e sempre (Hebreus 13:8). Suas obras são permanentes, e Sua Criação está pronta, acabada, nada podendo ser "acrescentado" ou "diminuído" (Eclesiastes 3:14). Assim é o Universo. Não é que Deus tenha existido primeiro e somente depois criado um Universo. Deus e o Seu Universo são um, e o Universo existe desde quando Deus existe. Esse Universo é Infinito, Espiritual, Eterno, Permanente, Perfeito e Imutável, assim como Deus. Todas as características de Deus também são características de Seu universo, devido ao princípio absoluto da Perfeita Unicidade. O Universo de Deus é integrado apenas por Deus e Seus Filhos, que também são Um com Deus desde o princípio, em uma eterna unidade com o Pai. Tudo o que o Pai é o Filho também é. Aqui temos os aspectos "Pai" e "Filho" da Santa trindade de Deus. O Filho de Deus existe em Deus como "parte" integrante do Universo criado por Deus. Mas essa "parte" (o Filho de Deus, que também podemos chamar de "Individualidade") contém em Si tudo o que o Todo contém. A ideia é como a de um holograma em que o Todo está contido em cada uma de suas partes. Assim é o Universo de Deus (Pai e Filho em eterna Unidade). Esse Universo é Infinito.

O ensinamento de Um Curso em Milagres descreve bem (dentro do que as palavras permitem) a ideia do que vem a ser o Universo Espiritual criado por Deus e do que vem a ser a Representação. Essa é a melhor cosmologia que já encontrei, e que guarda harmonia com a verdade pregada em todos os grandes ensinamentos que pude conhecer. Por isso trago aqui a explicação do UCEM:

Antes do início, não havia inícios nem fins; havia apenas o eterno Sempre, que ainda está lá – e sempre estará. Havia apenas uma consciência de uma unicidade imaculada, e essa unicidade era tão completa, tão espantosa e ilimitada em sua alegre extensão, que seria impossível que qualquer coisa (extensão) estivesse consciente de algo que não fosse Si Mesmo. Havia e há apenas Deus nessa realidade – à qual vamos nos referir como Céu. O que Deus cria em Sua extensão de Si Mesmo é chamado de Cristo. Mas Cristo não é, de maneira alguma, separado ou diferente de Deus. Eles são exatamente a mesma coisa. Cristo não é uma parte de Deus, Ele é uma extensão do todo. O Amor real precisa ser compartilhado, e o perfeito Amor que é compartilhado no Universo de Deus está além de toda compreensão humana. A única distinção possível entre Cristo e Deus – se uma distinção fosse possível – seria que Deus criou Cristo; Ele é o Autor. Cristo não criou Deus ou a Si Mesmo. Por causa de sua perfeita unicidade, isso realmente não importa no Céu. Deus criou Cristo para ser exatamente como Ele, e para compartilhar Seu eterno Amor e alegria, em um estado de êxtase livre, ilimitado e inimaginável. Ao contrário do mundo concreto, específico no qual parecemos estar agora, esse estado constante e encantador de consciência é completamente abstrato, eterno, imutável e unido. Cristo, então, estende a Si Mesmo criando novas Criações, ou extensões simultâneas do todo, que também são exatamente as mesmas em sua perfeita unicidade com Deus e com Cristo. Portanto, Cristo, como Deus, também cria – porque Ele é exatamente o mesmo que Deus. Essas extensões não vão para dentro ou para fora, porque no Céu não existe conceito de espaço; existe apenas em todo lugar. O resultado de tudo isso é o compartilhar sem fim do Amor perfeito, que está além da compreensão.

Esse Universo, Criado por Deus, é a Realidade Absoluta. Perante essa Realidade Absoluta, nenhuma outra realidade existe. Somente o Céu é Verdade. Além do Céu, nada existe, porque Deus já criou tudo o que havia para ser criado, Ele não deixou nada de fora.

Mas, então, como (parece que) viemos parar aqui neste universo físico? A cosmologia de Um Curso em Milagres explica:

Então, algo parece acontecer que, como em um sonho, realmente não acontece – apenas parece fazê-lo. Por apenas um instante, por apenas uma fração inconsequente de um nanosegundo, um aspecto muito pequeno de Cristo parece ter uma ideia que não é compartilhada com Deus. É um tipo de ideia “E se?”. É como uma curiosidade inocente na forma de uma pergunta – que infelizmente é seguida por uma resposta aparente. A pergunta, se pudesse ser colocada em palavras, era: “Como seria a Existência para mim se, por acaso, eu existisse por conta própria, separado de minha Fonte?”. Como uma criança inocente brincando com fósforos e colocando fogo na casa, você seria muito mais feliz em não encontrar a resposta para essa pergunta – pois seu estado de inocência está para ser, aparentemente, substituído por um estado de medo, e pelas defesas errôneas, viciosas, que essa condição parece exigir. Pelo fato de sua ideia não ser de Deus, Ele não responde a ela. Responder seria dar realidade a ela. Se o Próprio Deus fosse reconhecer qualquer coisa exceto a ideia da perfeita unicidade, então, não mais haveria unicidade perfeita. Não mais haveria um perfeito estado do Céu para o qual você fosse retornar. Como você vê, você realmente nunca partiu. Você ainda está lá, mas entrou em um estado de ilusão de pesadelo. Enquanto você viajou apenas em sonhos, Deus e Cristo, Que sempre são Um, continuaram como sempre foram e sempre serão. Agora parece haver um minúsculo aspecto de Cristo que agora está consciente de alguma outra coisa. Isso é dualidade. Agora, ao invés de unicidade, você tem dualidade. Antes, havia a unicidade perfeita do Céu e nada mais. Não existe realmente mais de uma coisa, mas agora, algo diferente parece estar acontecendo para você. Parece haver Deus e alguma outra coisa. Isso é a ilusão da dualidade, e o mundo de multiplicidade, e os incontáveis sujeitos e objetos que você percebe nele são meramente simbólicos da separação.

Isso significa que este universo – a Representação – foi criada pelo Filho de Deus a fim de experienciar o seu Ser (ele também é um Universo infinito, assim como Seu Pai) como separado de Deus. Nós fizemos a Representação, Deus não a criou, aos olhos Dele isso é completamente desnecessário. Aliás, Deus sequer está consciente da Representação (Se ele estivesse consciente dela, a Representação não seria uma representação  ela seria real  porque, pelo princípio da Unidade, Deus tem que ser UM com tudo o que for percebido por Ele. Se Ele estiver consciente da Representação, isso significa que Ele se separou de Si mesmo, e agora não haveria nenhum perfeito estado do Céu para o qual o Filho pudesse retornar). A Representação é um assunto que diz respeito somente ao Filho de Deus. O aspecto de Deus Pai não está consciente da Representação. Todavia o Espírito Santo está completamente ciente da ilusão de separação. Ele habita o Céu e sabe que o Filho de Deus nunca deixou o estado de perfeita unidade com o Pai; e Ele também vê as ilusões onde o Filho de Deus se imagina vivendo separado do Todo. O Espírito Santo é o mediador ou a ponte que faz a ligação entre a Realidade e a ilusão, entre o estado de perfeita unicidade e o estado de separação. Ele sabe como utilizar a ilusão para ensinar e conduzir o Filho de Deus para longe do sonho de separatividade, rumo à realidade original de unidade com Deus. Para isso basta que o Filho esteja disposto a ouvir e seguir a Sua voz. Na Representação, quando o Filho de Deus olha para Si mesmo, Ele se vê separado do Todo. Mas Deus olha para Seu Filho e o vê como sempre foi: perfeito e em eterna unidade com Ele. O Filho está em casa sonhando e, no sonho, olha para Si e se vê separado do Todo. Mas o Pai olha para o Filho e somente o vê em casa, tal como sempre foi. Ou seja, em nenhum momento Deus reconhece a existência ou a ideia de separação. O fato de Ele não reconhecer (e não responder) à ideia levantada pela "curiosidade" inocente do Filho de Deus assegura que o Filho de Deus continue sendo o que Ele sempre foi: um com Deus e com todo o Céu. Do contrário a Criação teria sido catastroficamente comprometida e Tudo teria desastrosamente se perdido para sempre. Mas isso não aconteceu (a não ser na Representação, que é o sonho do Filho de Deus, onde as ideias da separação estão sendo encenadas). É devido ao fato de o Pai não tomar conhecimento da realidade criada pelo Filho, que o Filho de Deus possui um estado de Unicidade Perfeita para onde despertar e retornar.

O Céu (o Reino de Deus, Jisso, Terra Pura, Nirvana, etc.) existe dentro de um referencial UNITÁRIO, Infinito, Absoluto e, perante ele, não há outra realidade. Mas a Representação foi concebida dentro de uma moldura dual, relativa (e também infinita). Isso significa que, do referencial da relatividade é possível tomar conhecimento de ideias tais como "relativo" e "absoluto", mas do Ponto de Vista absoluto não é possível conceber a relatividade. Estando no referencial da Representação é possível conceber a ideia de "representação e céu". Mas, estando no Céu, só é possível perceber e vivenciar o próprio Céu.

Um detalhe importante de ser mencionado: uma vez que o Filho de Deus é exatamente o que Deus é, isso significa que Ele pensa exatamente como o seu Pai pensa. Ou seja, se Deus nunca concebeu um pensamento de separação de Si mesmo, em realidade o Filho de Deus também nunca teve aquele pensamento de separação – apenas pareceu ter. Se o pensamento de separação tivesse ocorrido de verdade, a Representação não estaria sendo vista e experienciada no âmbito de um sonho, mas sim da própria Realidade onde o Filho de Deus se encontra. O Curso em Milagres descreve que aquele pensamento de separação aconteceu por apenas um instante fractal de nanosegundo (nem mesmo isso!), e que tal pensamento foi simultaneamente desfeito (corrigido) no próprio intervalo diminuto no qual foi concebido (ou seja, o princípio da Unidade entre Pai e Filho eternamente mantido pelo Espírito Santo corrigiu a ideia de "separação" para a de "unidade"). Isso significa que o pensamento de separação não durou, pois foi simultaneamente "desfeito" ao mesmo tempo em que estava sendo "feito". Isso não interrompeu ou interferiu na realidade do Céu. O Curso descreve isso utilizando a imagem (metáfora) de um navio que passa cortando brevemente a superfície das águas de um vasto Oceano: quando o navio avança, ele parece "abrir" ou "separar" as águas por onde passa, mas imediatamente a própria natureza do Oceano as "fecha", ou seja, as devolve ao seu estado de unidade original.

Uma outra forma de entender isso é tomando a ideia de um parênteses. Quando utilizamos o parênteses em um texto (como estou fazendo exatamente agora), isso não interfere ou interrompe o texto original. Se a pessoa quiser, ela pode seguir lendo o texto principal ignorando o conteúdo de todos os parênteses. Ela não terá perdido nada do conteúdo original. E o texto também não tem a sua continuidade interrompida. Assim foi o pensamento de separação: uma abertura (e fechamento) de um parênteses que aconteceu na Eternidade. Sim, abertura e fechamento! Um parênteses precisa ser aberto e também concluído.

Uma vez que o pensamento de separação foi corrigido simultaneamente ao seu acontecimento, ele não durou sequer um instante. A separação pareceu surgir e desaparecer. Isso significa que naquele único instante tudo já aconteceu. A Representação em si já aconteceu. Devido a isso, todo o conteúdo da Representação também já aconteceu. Passado, presente e futuro (que só existem na Representação) já aconteceram. Na Representação existe um ponto atemporal que pode ser alcançado pela consciência observadora da representação (Quem somos), e de lá ela pode observar todos os acontecimentos do passado, presente e futuro simultaneamente. Tudo já existe ao mesmo tempo! Todos os eventos, com seus infinitos desdobramentos possíveis (e realidades paralelas), já existem, já estão disponíveis, apenas esperando para serem acessados e experienciados. Em uma sequência da Representação, o Luiz é um doutor em Medicina muito bom e bastante reconhecido em sua área de atuação. Em uma outra sequência da Representação, o Luiz é um advogado, casado com uma outra mulher, pai de outros filhos, vivendo em outra cidade ou outro país, e assim por diante. Em um contexto ainda mais amplo da Representação, Você não está se experimentando como Luiz, mas como outro personagem, vivendo num outro lugar e tempo. É aqui que você descobre que Você tem a possibilidade de vivenciar (representar) a vida de infinitos personagens. Todas as histórias da Representação são "memórias" ou "informações" que estão concebidas numa espécie de "banco de dados" da Representação. É como se você tivesse na palma de suas mãos uma mídia de DVD com tudo filmado e gravado – todos os acontecimentos do passado, presente e futuro – e então escolhesse rodar alguma história ou evento específico. Nós, como Observadores, podemos escolher o filme que vamos assistir/representar.

Além de poder vislumbrar o passado, presente e futuro acontecendo simultaneamente, o Filho de Deus pode olhar para a própria Representação e perceber ela acontecendo de uma só vez (pois ela já aconteceu, já passou). Quando ele faz isso, uma possibilidade se abre: a possibilidade de sair da Representação. A Representação é muito mais do que os eventos do passado, presente e futuro - ela é a Máquina que os fabrica. A partir das alturas daquele ponto atemporal, o filho de Deus pode notar inclusive que a própria Representação já aconteceu. Tudo passou. Toda a Representação foi um breve pensamento que surgiu e desapareceu no imensurável Oceano da Realidade. No momento em que Ele nota isso, as "águas" brevemente "cortadas" pelo "navio" são ajuntadas, o parênteses dentro do qual foi escrito a história da Representação é fechado. A Representação desaparece e só o que resta é o Céu: eterno, perfeito, imutável, intacto, inalterado por aquilo que pareceu ser um pensamento de separação. O Filho de Deus retornou à casa do Pai.

Essa é toda a história do filho pródigo, desde o momento em que ele partiu para longe até o momento em que retornou à Casa do seu Pai.

Mas existem muitas coisas importantes que precisam ser compreendidas e levadas em consideração, ao longo de toda essa história, que vai desde o instante da separação até o retorno do Filho de Deus ao Céu. A história do filho pródigo só pode acontecer em uma Representação, e não na Realidade, pois o Céu é Realidade Absoluta, imutável. A Representação surgiu no momento em que o Filho de Deus teve a curiosidade de saber como seria ter aquele pensamento de separação de Deus.

Então vamos começar desde o início da história da Representação. A Representação foi trazida à tona no momento em que o Filho de Deus teve o pensamento de separação. Aquele pensamento original de separação trouxe para o Filho uma consequência (aparentemente) muito séria: o pecado. O Filho de Deus adormeceu e passou a sonhar um sonho inútil, insignificante, ou um pesadelo, porque o propósito inicial do pensamento de separação é o de experimentar uma existência apartada do Céu, da Vida, da Fonte, e de tudo o que Deus ou o Céu significa: Realidade Gloriosa, Amor perfeito, Harmonia perfeita, Sabedoria perfeita, Alegria, Êxtase, Bem-Aventurança infinita, Abundância plena de tudo, e tudo o mais que Deus é. Portanto, ao afastar-se de Deus, o Filho afastou-se de todos os atributos do Céu e viu-se em uma "realidade" aterrorizante que teria que (parecer) exprimir simbolicamente características opostas ao Céu. Em sua nova realidade, o Filho de Deus pensou que realmente estava separado, ainda que não pudesse estar. É como estar na cama sonhando à noite: ainda estou na cama, mas não posso ver isso. Em seu sonho de separação, o sonho é real para o Filho de Deus e o Céu é esquecido. O Curso em Milagres diz:

"Não reconheces a magnitude deste único erro. Ele foi tão vasto e tão completamente inacreditável que um mundo de total irrealidade tinha que emergir. Que outra coisa poderia resultar disto? Seus aspectos fragmentados são bastante amedrontadores quando começa a olhar para eles. Mas nada do que tens visto nem de leve te mostra a enormidade do erro original, que aparentemente te expulsou do Céu para estilhaçar todo o Conhecimento da Vida em pequenas partes sem significado de percepções desunidas e para forcar-te a fazer mais substituições. Essa foi a primeira projeção do erro para fora. O mundo surgiu para escondê-lo e veio a ser a tela na qual ele foi projetado e colocado entre tu e a verdade."

Vamos nos deter um pouco aqui no instante da separação. Algumas coisas precisam ser compreendidas. Já dissemos que a perfeita unicidade do Céu é tal que em parte alguma existe separação entre o Pai e o Filho. Tudo o que o Pai é, o Filho também é, pois Ele compartilha com seu Filho toda a Sua Realidade Gloriosa. Por isso, conhecer o Filho de Deus é o mesmo que conhecer o Pai em sua Totalidade ("Ninguém vai ao Pai, senão por Mim"), pois o Filho de Deus também é detentor da Totalidade. É como a imagem de um holograma: o Todo está presente em cada uma de suas partes. Assim sendo, a parte não é "parte" em absoluto, mas a própria Totalidade. Deus é um Todo Perfeito em funcionamento harmônico. Assim, quando o filho de Deus (a "parte") escolhe se separar de seu Pai (o Todo), ele tem que acreditar que está removendo, arrancando, "extirpando" o Todo do próprio Todo. Isso constitui um verdadeiro ataque a Deus e ao Céu. Agora (parece que) Deus deixou de existir e o Céu está totalmente destruído. E diante de si ele vê uma realidade totalmente oposta ao Céu. Essa realidade amedrontadora corrobora a separação total do Filho em relação ao Pai. Com o apoio dessa nova realidade, o Filho de Deus sente ter corrompido a existência de Deus e de todo o Céu; ele pensou ter estragado todo um "Sistema" de infinita e imensurável Perfeição – ele, sozinho, fez isso! É tudo culpa dele. E ele se sente realmente culpado.

E, de fato, existem razões para toda essa culpa: acreditando na realidade de sua separação (dualidade), o Filho de Deus começou a experienciar a si mesmo "em relação" a seu Criador e Fonte. Mas ele não experienciou esse relacionamento de forma muito boa. Ele viu a si mesmo em carência, com Deus injustamente possuindo o que ele não tinha: o poder de ser a Fonte da Vida e também de ser o Criador de Si mesmo. A única forma de possuir o poder da vida e da criação era tomá-lo à força para si. Então, com o seu poder onipotente, o Filho roubou a vida que estava com Deus. A partir de então Deus não era mais a causa do Filho, o Filho é que era a causa de Deus. O Curso em Milagres refere-se a isso como usurpar o "papel" ou o "trono" de Deus. O Filho estabeleceu-se como o seu próprio criador, de tal forma que Deus, como Ele realmente é, deixou de existir – pelo menos dentro da mente do Filho. Deus não é mais a Fonte de toda a Existência; agora é o Filho que é. Esse foi o nascimento do Ego. Para que o filho de Deus pudesse emergir como um "eu" separado, existindo por conta própria, ele teve que erradicar o próprio Deus e despedaçar o Céu por inteiro. O preço para poder viver sua vida como um Ego foi o sacrifício e a morte do próprio Deus. E sobre o corpo assassinado de Deus, ele erigiu o seu próprio ser. Daí porque o episódio da separação importou em uma seríssima consequência para o Filho de Deus: o pecado, o roubo, o assassinato. O pecado é um pensamento assassino.

Para mencionar mais uma vez, tudo isso aconteceu apenas em uma parte da mente do Filho de Deus, e jamais na Realidade. O pensamento de separação pareceu dividir a mente do Filho e uma parte dela acreditou no pecado da separação. A outra parte da mente do Filho de Deus permaneceu como sempre foi: intacta, inocente, santa, pois o Ser do Filho de Deus é sustentado para sempre pela Mente do próprio Deus. Isso garante a existência do Filho de Deus como integrante da Realidade do próprio Deus. Aos olhos de Deus nada aconteceu absolutamente: Deus olha para Seu Filho e O continua vendo da forma como Ele sempre foi na Eternidade. O ponto a ser entendido aqui é: a Mente que Deus utiliza para ver isso é a mesma Mente que Ele compartilha com o Seu Filho. Portanto, o Filho de Deus o tempo todo tem em Si essa Mente que conhece a Realidade e que sabe que a separação nunca aconteceu. Por isso é que se diz que a separação só pode ter acontecido na forma de uma Representação ou Sonho.

Continuando a história: no momento em que o Filho de Deus teve o pensamento de separação, ele adormeceu e, em seu sonho, uma "realidade" aterrorizante foi concebida dentro de um "sistema" ou "arquitetura" onde tudo é construído para funcionar naquele sentido. Dentro da estrutura dessa nova "realidade", tudo corrobora e fala pela separação (pecado). E assim podemos entender que o universo da separação possui uma espécie de "Inteligência" trabalhando a favor da separação a fim de preservar sua arquitetura, valendo-se de vários mecanismos, planos e estratégias para se automanter, e também para assegurar a permanência do Filho de Deus dentro dele. Essa inteligência guardiã do universo da separação é chamada de "Ego". O Ego é o guardião do universo da separação. Ele é o resultado de um pensamento assassino. E para assegurar a continuidade de sua (aparente) existência, depende de o Filho de Deus manter-se identificado com ele, pois o Ego sozinho é nada, e sem o Filho de Deus ele desapareceria imediatamente. Retomando: No exato momento em que o Filho de Deus adormece e se vê dentro do universo aterrorizante da separação, o próprio universo (Ego) avalia o Filho de Deus com a percepção distorcida de um pecador. O Ego julga o Filho de Deus como sendo um assassino, corrupto, ladrão, traidor, miserável da pior estirpe, digno de ser punido com a morte pelo pecado que cometeu. Para o Ego, o Filho de Deus é irremediavelmente culpado e a morte de Deus deve ser punida com a própria morte. Essa é a visão que o Ego sustenta e também o plano secreto que (em seu universo) ele tem para o Filho de Deus.

Estando o Filho de Deus adormecido no sonho (universo de separação do Ego) e esquecido de Sua verdadeira realidade (o Céu), o Ego agora tem a sua total atenção. Você (o Filho de Deus) olha confuso para ele a fim de que explique a você o que está acontecendo, e ele tem uma mensagem para você. A mensagem é essa: "Você não sabe o que fez? Você se separou de Deus. Você cometeu um pecado enorme contra Ele. Você pegou o paraíso – tudo o que Ele lhe deu – e simplesmente jogou na cara dele, dizendo: 'Quem diabos precisa de você?'. Você o atacou! E agora você está morto, porque não tem a mínima chance contra Ele. Ele é impressionante, e você não é nada. Ele está furioso e virá atrás de você para tomar de volta tudo – incluindo a vida – que você roubou dele. Você estragou tudo, você é muito culpado. Ele está aqui em algum lugar de sua mente (pois Pai e Filho compartilham da mesma mente) procurando por você. E se você não der o fora daqui agora, será pior do que a morte!".

Em seu estado mental confuso, essas razões parecem muito sensatas, lógicas e convincentes. Se Deus aparecesse e tomasse de volta tudo o que Lhe foi usurpado, o Filho deixaria de ser a fonte de si mesmo e de toda a criação. Sua nova identidade – o Ego – deixaria de existir, e isso significaria a morte. Para o Ego, Deus é muito perigoso: é equivalente a sua própria morte. Agora o Filho está aterrorizado, com medo de que a qualquer momento o seu Pai corra em sua direção para puni-lo. Isso faz com que o Filho de Deus pense, em resposta ao Ego: "Você está certo. Oh, meu Deus, o que eu fiz? Eu estraguei tudo, eu ataquei o Céu. Mas, para onde posso ir? O que posso fazer? Ele está em algum lugar aqui da minha mente. Eu posso correr, mas não posso me esconder. Não existe lugar onde eu possa me esconder do próprio Deus!"

"Bem, isso não é exatamente verdade", diz o Ego, "porque eu estou aqui para ajudá-lo. Eu sou seu amigo, e tenho uma ideia: um lugar onde podemos ir juntos. Você pode continuar sendo dono da sua própria 'vida' e não terá que se preocupar em encarar Deus de jeito nenhum. Você nunca vai vê-lo, Ele nem mesmo será capaz de ir a esse lugar!"

"Realmente?", você pergunta. "Isso parece bom demais para mim. Vamos!"

O Filho de Deus aceitou isso, em parte, porque gosta da ideia de ser um indivíduo com uma existência separada – mesmo que isso não seja realmente possível. Apesar disso a ideia de separação foi levada muito a sério pelo filho de Deus, e na sua mente isso se traduziu como um pecado contra o Céu.

"Tudo bem," diz o ego. "Faça exatamente o que eu digo."

A magnitude espantosa da vergonha, da culpa aguda e do medo da punição que advieram daquilo que o Filho de Deus acredita ter feito parece requerer uma fuga imediata e completa. O Filho de Deus acredita sinceramente que está para ser atacado e punido severamente pelo próprio Deus. Então o Ego dá conselhos ao Filho de Deus como se fosse o seu amigo, e buscasse os seus melhores interesses. Ele o convence de que em algum lugar de Sua mente o seu Pai está vindo atrás dele procurando vingança. E, prometendo de aliviar o Filho de sua aflição, o Ego lhe fornece a solução de criar um mundo exterior à Sua mente e PROJETAR para lá (em uma tela) toda ideia de pecado, culpa e medo que estavam sendo percebidas no interior da mente. Assim, o Filho de Deus (Ego), o pecado, a culpa e o medo não seriam mais percebidos na mente do Filho de Deus, e sim lá "fora". O Filho estaria completamente livre de todos os seus problemas. Confiando nesse plano, o Filho de Deus coloca-o em ação, e o poder incompreensível de criação de Sua mente faz com que o método de sua fuga se manifeste. Esse lugar – a projeção – é o universo físico onde acreditamos estar agora. Foi assim que se deu a aparição do universo fenomênico (Big Bang). O Filho de Deus escapou da sua mente diretamente para o mundo da projeção. Agora, Deus, assim como tudo o mais, parece estar fora e aparte da mente do Filho de Deus (eu, você, e cada habitante desta humanidade). E nós nos percebemos vivendo totalmente separados de nossas mentes – que é a mente única que concebeu todo o universo da representação. Nós pensamos que Deus fosse nos atacar e a criação do cosmos foi a nossa proteção/defesa contra Deus.

Assim, resumidamente, o que aconteceu até aqui foi: no momento da separação o Filho de Deus adormeceu e teve um sonho no qual era diferente de Deus. Em seu primeiro sonho, o Filho adentrou a realidade aterrorizante do Ego que expressava um universo completamente oposto ao Céu. E percebeu a Si mesmo como pecaminoso, repleto de culpa, e a Deus como um ser furioso, amedrontador e vingativo. Assustado e confuso com essa realidade, o Filho volta-se para o Ego para que lhe explique o que está acontecendo. O Ego aproveita a oportunidade para reforçar a ideia da separação, pois em si mesmo o ego é "nada", e depende que o Filho de Deus guarde identidade com ele a fim de que possa assegurar sua existência. O Ego não faria nada que fosse contra si próprio. Então, para proteger a si mesmo e seu universo (o primeiro sonho), o Ego aconselha o Filho de Deus a criar o mundo externo (o segundo sonho, a projeção) e projetar a Si mesmo e todos os seus problemas para lá. Ou seja: fez com que o Filho criasse um outro sonho – o mundo – para proteger o primeiro. Agora a realidade do Ego está preservada na mente do Filho de Deus. O Filho de Deus está preso, inconsciente do primeiro sonho (onde vigora a crença do Ego na separação, no pecado), e acreditando que o mundo da projeção é a única realidade. E assim ele nunca volta a olhar para o sonho original de pecado contra Deus. Somente olhando para o primeiro sonho é que o Filho poderá constatar a sua falsidade e recuperar a consciência de que Sua verdadeira realidade está no Céu.

Esse foi o nosso propósito inicial ao criar a projeção (que é a parte visível da Representação). Todos os nossos pecados (incluindo nossas culpas, medos, e a punição que julgamos merecer) estão sendo projetados no palco deste mundo, e nossas vidas aqui apenas simbolizam o que nós acreditamos ser em nossas mentes. Assim funciona a dinâmica da projeção: a percepção que temos de nós mesmos na mente (a parte invisível da Representação) é projetada para fora e encenada no palco do mundo visível na forma de símbolos. Por exemplo: se em sua mente o Filho de Deus estiver dividido, em conflito consigo mesmo, na projeção isso pode aparecer na forma de duas pessoas (famílias ou mesmo nações) brigando umas com as outras. Todas elas são o Filho de Deus "aparecendo como" na Representação. Se o Filho de Deus considera-se um pecador, e pensa que devido a isso ele merece ser punido, esse pensamento pode se projetar no palco da Representação na forma de acidentes, doenças, deficiências, pobreza, infortúnios, etc.. O pecado está sendo encenado no mundo. O Filho de Deus (motivado pelo Ego) está punindo a si mesmo por seu pecado.

Por isso, em seu propósito inicial (separação), a Representação é um sonho inútil, insignificante, um pensamento mal feito, um pesadelo, completamente sem sentido. Mas digo, desde já, que a Representação não está fechada a este propósito. Existe outra possibilidade. Uma vez que a Unidade Pai-e-Filho é garantida pelo próprio Deus, existe uma parte da mente do Filho de Deus que se conserva completamente intacta, íntegra, inocente, bem-aventurada, santa. Essa parte da mente sabe perfeitamente que a separação (o pecado) nunca aconteceu, que o Filho de Deus é inocente, puro, santo, eternamente abençoado por Deus, e que somente o Céu é realidade aqui presente. O Filho de Deus nunca deixou de ser um com Deus e de estar em completa segurança no Céu. Na Representação, o Filho de Deus pode deixar de dar ouvidos àquela parte da mente que acredita no pecado (Ego) e voltar-se para a parte santa de sua mente que sabe que o pecado não existe (Espírito Santo). Quando Ele faz isso, um outro propósito automaticamente é conferido à toda Representação. A Representação adquire um verdadeiro valor, sentido, significado. Sempre que o Filho de Deus escolher acessar essa parte da mente, o palco da Representação refletirá símbolos de amor, de santidade, de benevolência e da pureza da Criação.

Assim, na Representação, a mente do Filho de Deus está dividida. Uma parte da mente (representada pelo Ego) diz que ele pecou e é culpado. A outra parte (representada pelo Espírito Santo) não vê pecado em parte alguma e diz que ele é inocente, santo para sempre, e que exatamente aqui e agora Ele está no Céu desfrutando de todas as maravilhas e bençãos de Deus. Na Representação o Filho de Deus pode guiar-se apenas por duas vozes (duas percepções): a voz do Ego (que fala pela separação, pelo pecado e pela culpa) ou a voz do Espírito Santo (que fala pela eterna unidade e santidade do Filho de Deus).

Após assimilar tudo o que foi dito até aqui, vamos prosseguir para uma compreensão mais ampla da Representação.

Quando o Filho de Deus teve o pensamento de separação, isso não durou mais do que um instante. Imediatamente (na verdade, simultaneamente) o Espírito Santo fez a correção daquele pensamento e o Filho de Deus estava de volta à Unicidade do Céu, lugar de onde nunca havia saído para início de conversa. Isso significa que toda a Representação aconteceu dentro daquele ínfimo instante. Todas as histórias e suas infinitas possibilidades – registradas ao longo do tempo: passado, presente e futuro – aconteceram simultaneamente. O tempo faz parte da Representação, mas a Representação transcende o tempo. Passado, presente e futuro existem todos ao mesmo tempo, no Agora atemporal da Representação. A consciência tem o poder de observar a Representação a partir de um ponto atemporal. Mas se ela escolher imergir no tempo, ela o experimentará em sua linearidade; e passado, presente e futuro parecerão estar distantes, separados um do outro no tempo.

Se toda a Representação aconteceu e foi corrigida num único instante, isso significa que todas as histórias possíveis (com seus infinitos eventos e personagens) já foram escritas, encenadas e concluídas. Todos os filmes de terror do Ego simbolizando a realidade da separação e todos filmes maravilhosos do Espírito Santo (que refletem na terra a realidade gloriosa que o Filho de Deus vivencia no Céu) foram filmados e gravados no "banco de dados" ou na "memória" da Representação. Aqui, podemos entender a Representação como uma mídia de DVD ou uma Grande Máquina onde estão gravadas as filmagens de todas as infinitas histórias possíveis de se representar. Desde as histórias de perversidade do Ego (onde é encenada a punição pelo pecado: problemas, dificuldades, medos, angústias, decepções, perdas, frustrações, pobreza, doenças, conflitos, guerras, acidentes, mortes), até as histórias santas do Espírito Santo (que representam a realidade abençoada do Céu: cenas que exprimem amor, sabedoria, graça, alegria, vida, harmonia, paz, abundância, etc.), todas estão gravadas na memória da Representação. É como se o Filho de Deus estivesse segurando em suas mãos um controle remoto na frente de uma tela de televisão, escolhendo assistir ora os filmes amedrontadores elaborados pelo Ego, ora os filmes felizes de autoria do Espírito Santo.

Isso é o que está acontecendo com a mente do Filho de Deus enquanto humanidade: alguns estão identificados com a voz do Ego e vivenciando sonhos de pecado, culpa e medo, enquanto outros se tornaram identificados com a voz do Espírito Santo, vivenciando sonhos felizes que refletem o Céu na Terra. Na verdade, pouquíssimos são os que escolheram ouvir e guiar-se pela voz do Espírito Santo. Estes são os seres iluminados que aparecem na Representação para revelar e oferecer à humanidade (na verdade, a Si mesmos) uma nova maneira de viver a vida aqui neste mundo. Na história de nossa Representação (esta em que estamos nos percebendo agora – Planeta Terra, ano 2017) até agora pouquíssimas pessoas abandonaram completamente o pecado em suas mentes. Veja o cenário do mundo: em um lugar as pessoas são escravizadas, sofrem e morrem de fome, miséria, pobreza e doenças; num outro lugar sofrem e morrem com violentos ataques terroristas; em outro lugar sofrem de catástrofes "naturais" (terremotos, erupções, enchentes, tsunamis, furacões); em outro lugar um país inteiro é torturado por uma gigantesca crise política de corrupção, e por aí vai... O mundo inteiro sofre assim porque a mente da humanidade está abarrotada de pensamentos de culpa e de sentimentos de autopunição. O Filho de Deus (ouvindo e deixando-se guiar pela voz do Ego) está punindo a si mesmo pelo pecado de sua separação. O pecado é imperdoável exige punição (isso é uma lei!). Se o Filho de Deus acreditar que pecou, Ele irá se punir (a parte da mente que acredita no pecado está - ela própria - estabelecida para punir), e, qualquer que seja a punição, ela sempre deverá terminar na ruína e na morte. Mas basta o Filho de Deus deixar de acreditar na existência do pecado, e imediatamente Ele está livre. A correção do Espírito Santo para a separação é: o pecado não existe. Isso significa que a separação nunca aconteceu. Assim, à medida que a mente do Filho de Deus for sendo purificada da crença em pecado, culpa e medo (a nível individual e coletivo), a Representação deixará de exibir símbolos/filmes amedrontadores que expressam a punição que o Filho de Deus infligiu sobre Si mesmo.

Ou seja: à medida que a mente do Filho de Deus for sendo purificada da crença no pecado, na culpa e no medo, e despertando para a Verdade de que o Filho de Deus é inocente, santo, perfeito desde o princípio, vivendo aqui e agora no Céu, os filmes de terror do Ego serão cada vez menos exibidos, e os filmes alegres e gloriosos do Espírito Santo tomarão cada vez mais o seu lugar. Esse processo acontecerá até que a mente do Filho tenha deixado de acreditar no pecado por completo. Quando isso acontecer, o Céu passará a ser refletido na Representação em escala global e, mais além, em proporções universais.

Mas o segredo da coisa toda é que TUDO realmente JÁ ACONTECEU. O Curso em Milagres diz:

"O tempo é um truque, uma vasta ilusão em que figuras vem e vão como por magia. Mas há um plano por trás das aparências que não muda. O roteiro está escrito. O momento em que a experiência vem para dar fim às tuas dúvidas já foi estabelecido. Pois nós vemos a jornada apenas do ponto em que ela terminou, olhando em retrospectiva, imaginando que a empreendemos novamente, revisando mentalmente o que já se foi. Apenas fazes uma jornada que já terminou."

"Esse mundo acabou há muito tempo. Os pensamentos que o fizeram já não estão mais na mente que os pensou e os amou por um breve período de tempo. O milagre apenas mostra que o passado se foi e o que se foi verdadeiramente não tem efeitos. Todos os efeitos da culpa já não estão mais aqui. Pois a culpa terminou. Com a sua passagem, foram-se também as consequências, deixadas sem uma causa."

Portanto, neste exato momento, já não existe mais NENHUMA causa que dê motivo à encenação de todas as calamidades que atormentam a humanidade. Este mundo já está LIVRE e pode ser experimentado como um verdadeiro paraíso aqui e agora.

Aprofundando ainda mais nesse segredo, constatamos que o roteiro universal da Representação já está escrito. Em algum lugar do "banco de dados" da Representação está gravada a "memória" de um filme onde cada um de nós escolhemos deixar de ouvir a voz que fala pela separação (Ego) e optamos por seguir unicamente a voz do Espírito Santo que fala somente pela Verdade. Em outras palavras, dentre as infinitas possibilidades da Representação, em uma delas existe a história com uma sequência de acontecimentos onde a nossa iluminação está acontecendo exatamente agora. De igual modo, dentre as infinitas realidades da Representação, existe uma sequência em que o mundo inteiro está despertando para a Verdade agora. Por isso, na Representação podemos nos ver iluminados agora! Podemos ver o mundo todo iluminado agora! Isso é assim porque o Filho de Deus está no Céu e não na Representação. Todos esses filmes podem ser passados na tela da projeção com apenas o acionar de um botão de controle remoto que o Filho de Deus segura nas mãos. Essa é a Verdade que o Espírito Santo quer lembrar/ensinar/revelar à mente do Filho de Deus, que na Representação parece estar dividida em bilhões de "pedaços". Mesmo na Representação, todas as mentes são a mesma.

Na Representação não há nada mais por acontecer, tudo nela já é "passado", "memória". Em última instância a própria Representação já aconteceu e não está mais presente. Ela não é sequer uma "memória". Só o Céu é Realidade presente. Aqui termina a cosmologia do Curso em Milagres explicando o significado de Deus, do Filho de Deus, do Céu e da Representação.

Agora que expliquei tudo isso, volto à nossa conversa no grupo e passo a responder as suas perguntas.

Na primeira parte de suas perguntas, você colocou:

Gustavo, pensemos:
- eu não lembro de haver criado a mim; então, alguém me criou.
- e fomos criados perfeitos, sim.
- se fomos criados perfeitos, como a ilusão se infiltrou?
- se fomos criados perfeitos, como o ego e a inconsciência estão "em nós"? Já que nenhum  ser consciente, perfeito e poderoso irá, jamais, "diminuir" a si!!! É difícil imaginar Jesus com "subconsciente" e com "inconsciente". Essas coisas são "doenças"!

O Filho de Deus foi criado por Deus para ser exatamente o que Deus é. Deus cria o Seu Filho e estende a Ele todo o Seu Ser para que o Filho seja exatamente o que Deus é. Uma vez que o Filho de Deus é tudo o que Deus é, ele detém a mesma Mente, a mesma Totalidade. O Filho de Deus é pleno, perfeito e completo desde o Princípio. "Deus não concede ao homem o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos." (João 4:34,35). O Filho de Deus não nasceu como um "Deus-Bebê" para ir aos poucos desenvolvendo sua consciência até chegar a ver a si mesmo como um Deus completo. Deus é um Ser atemporal, existe fora do tempo e do espaço. Em Deus (no céu) não existe tempo. O tempo é inteiramente parte da Representação, e mesmo a Representação transcende o tempo. Quem dirá, então, Deus! Deus vive na Eternidade com o Seu Filho. Ele é Deus desde sempre, eternamente e para sempre! O Filho de Deus é uma extensão de Deus. Pode-se dizer que Ele é o próprio Deus. A única diferença que há entre Deus e o Filho (se é que há alguma) é que Deus criou o Filho. O Filho não criou a Deus ou a Si mesmo. A unicidade entre o Pai e o Filho é tamanha, que isso realmente não importa no Céu. E a criação do Filho não se deu posteriormente à existência do Pai. O Filho de Deus existe desde sempre, juntamente com Deus. "Vós testificareis que estivestes comigo desde o Princípio" (João 15:27). Deus criou o Céu e tudo o que nele há. A perfeição já é. Não há necessidade de criar nada mais. O projeto de Deus está completo. "Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente, nada lhe podendo ser acrescentado ou retirado" (Eclesiastes 3:14).

Fomos criados perfeitos, estamos no Céu, e no Céu a ilusão nunca se infiltrou. O ego não existe. Essa é a resposta categórica, suprema, absoluta, acima de todas as considerações relativas. Existem espiritualidades que pregam a Verdade somente neste patamar (Ciência Cristã, O Caminho Infinito, Seicho-No-Ie, Um Curso em Milagres, Metafísica Absoluta). A prova de que estes ensinamentos funcionam (são verdadeiros) é que quando a pessoa pratica as contemplações absolutas, elas vêem o conteúdo da Representação sendo alterado. Doenças são curadas, situações desarmoniosas se harmonizam, problemas são resolvidos, etc. A Representação, que estava refletindo uma cena projetada pelo Ego, de repente passa a refletir uma cena projetada pelo Espírito Santo. E as contemplações da Verdade também possibilitam a pessoa expandir a consciência até começar a ter vislumbres da Realidade e perceber que a Representação é apenas uma representação. Mas se a pessoa não conseguir lidar ou entender bem as verdades que esses ensinamentos querem transmitir, então ela terá que buscar a Verdade a partir de um patamar relativo, levando em conta a existência da Representação. Mesmo assim isso funcionará ao seu próprio modo e tempo. Muitos os ensinamentos relativos são estruturados para levar a pessoa ao topo da Representação, e dali para fora dela.

Jesus Cristo não está mais preso ou dentro da Representação. Ele está livre, completamente acima da Representação. E a Representação está ao seu pleno dispôr. Mas um dia ele percorreu o caminho que o permitiu sair da ilusão e alcançar o lugar onde Ele está agora. "Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus" (João 20:17), "e o Pai enviará em meu nome o Consolador, a saber, o Espírito Santo, e esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar tudo quanto vos tenho dito" (João 14:26).  "Se o mundo tem vos aborrecido, aborreceu a mim também, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). Jesus veio para mostrar à humanidade o que é possível fazer/alcançar, pois Ele o assim fez. E ele orou: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam aqueles que me deste, para que conheçam e tenham a mesma glória que eu tive contigo desde o princípio, antes da fundação do mundo." (1 João, 17). Nesta oração, Jesus orou para que todos nós estivéssemos cônscios de que estamos onde Ele está. Ele sabe que todos nós estamos com Ele no Céu. Mas nós ainda não sabemos. Estamos presos no cárcere do Ego, cuja (aparente) existência é sustentada pela crença no pecado, na culpa e no medo. Todavia isso também já passou – mesmo na Representação isso não é realidade. Estamos agora no Céu, em Deus, em perfeita unidade com Ele e com toda a sua glória. Jesus sabe que a ilusão nunca se infiltrou, que a Representação nunca existiu, e que somente o Céu existe.

Na segunda parte de seu texto, você diz:

Mas, enfim, estando a ilusão aí, o que fazer para desfazer a ilusão? 

Se observarmos o modo de trabalho de Deus, veremos que Ele faz tudo progressivamente. A semente precede a árvore, a flor precede o fruto; a aurora precede o dia... fez o mundo em 7 períodos de tempo, embora pudesse fazê-lo instantaneamente... E está fazendo novos deuses como um pai faz um filho: tem, e enquanto ele cresce, o vai educando e instruindo. Assim, estamos no processo, e nossa ilusão é a mesma inconsciência de um bebê que ainda não alcançou, no seu desenvolvimento, o estágio da consciência de si e do mundo.

Dizer que Deus está fazendo novos deuses como um pai faz um filho, e que Ele faz tudo progressivamente, implica dizer que Deus e sua criação existem dentro do tempo linear, e que eles estão subjugados pelo tempo. Algo assim somente é possível acontecer na Representação – e, mesmo na Representação o tempo só é linear em seu aspecto estreito. Em seu aspecto mais amplo, o tempo é holográfico: passado, presente e futuro existem simultaneamente. A história que você está contando é perfeitamente possível de acontecer, mas só na Representação. A Representação é infinita, ela abarca universos e universos. Nela é possível um Deus de aspecto universal criar uma "consciência divina" que não existia, e que irá se desenvolver ao longo de bilhões e bilhões de anos até se tornar um novo Deus universal. Mas, para dizer mais uma vez, isso é apenas mais uma "memória" na Representação. Essa história já aconteceu. Se o Filho de Deus quiser vivenciar essa história na Representação, ele é livre para isso. Ao que me parece, o Filho de Deus em você quer representar isso.

Uma vez que o Filho de Deus adquire a plena consciência (como Jesus o fez) de que a Representação é apenas uma representação, Ele está livre para brincar nela o quanto quiser, pelo tempo que quiser. A Representação se torna um parque de diversões. E, se Ele assim escolher, pode a qualquer momento sair da Representação. 

E na terceira parte de seu comentário, você escreveu: Mas, se não somos crianças, e sim os adultos originalmente criados, como foi que a ilusão se infiltrou? Se nossa ilusão não é inconsciência infantil, e sim cegueira neocriada, como isso aconteceu? Veio por nós ou por ação de outros?

Na Realidade (Céu) não somos "crianças", somos tudo o que Deus é (portanto, a ilusão nunca se infiltrou). A Representação, por sua vez, apresenta infinitas possibilidades, e permite que sejamos essas "crianças" que você refere, mas também permite que sejamos "adultos". O propósito inicial da Representação era fazer com que o Filho de Deus experimentasse sua realidade como um Ego – um ser totalmente ausente/separado de Deus e imerso em completa cegueira, ignorância e sofrimento. Contudo, a correção simultânea (do pensamento de separação para o de unidade) feita pelo Espírito Santo corrigiu cada filme, cada cena de terror produzidas pelo Ego, em que o filho de Deus via-se separado e sofrendo amargamente as consequências de sua ignorância. Assim, todos os filmes ficaram armazenados no "banco de dados" da Representação. Tudo já aconteceu. Mas, em termos lineares (no aspecto estreito do tempo da nossa Representação), isso se traduziu como o ser humano evoluindo pouco a pouco, ampliando cada vez mais a sua consciência, tornando-se cada vez menos ignorante, até atingir a completa sabedoria. Mas mesmo isso não é uma regra. Em todos os tempos sempre houveram seres conscientes e unos com Divindade. Os Vedas relatam que nos tempos antigos existiram seres com características animais (avatares na forma de aves, peixes, répteis, mamíferos, etc.) que entraram na Representação de modo totalmente consciente. Krishna é o exemplo de um personagem que nunca teve que atingir a iluminação. Ele já entrou na Representação iluminado. Buda, por sua vez, teve que passar pela experiência da iluminação. Na Representação tudo é possível, devido ao que ela é. Mas a experiência de quase toda a humanidade (neste filme/representação em que estamos) é que o Filho de Deus encontra-se muito iludido e identificado com o Ego. Consequentemente, acredita ser um pecador e tem que pagar o preço de seus pecados.

As pessoas que não conhecem o segredo holográfico da Representação (e do tempo) necessitam passar por milhões e milhões de vidas, evoluindo pouco a pouco (e a muito custo) até atingirem a iluminação. Mas quem conhece os ensinamentos que trabalham com o aspecto holográfico da Representação (e do tempo) consegue economizar muito tempo para si. A auto-realização, a libertação, a salvação, é obtida muito mais rápido, pois, ao se trabalhar com o aspecto holográfico da Representação, o tempo sofre um colapso e tem sua ordem alterada. Do ponto de vista da Realidade, o tempo não existe e sua alteração (para mais ou para menos) não faz diferença alguma; mas do referencial da Representação isso faz toda a diferença.

Na quarte parte de seu texto, você escreveu: Pela ação de outros, Jesus (não o Cristo) foi parar no túmulo, mas nem assim perdeu sua consciência e poder. Quer dizer: o que quer que tenha nos atingido, se a ilusão é adquirida, e não a do bebê, foi algo muito mais poderoso, no sentido de produzir estragos, do que a "morte".

Sim, o pensamento de separação acarretou algo muito sério para o Filho de Deus. Foi uma verdadeira catástrofe! Não foi à toa que o Filho de Deus encheu-se de culpa por ter atacado Deus e destruído o Céu. E não foi à toa que ele passou a sentir um imenso medo da vingança de Deus. Nas palavras do Curso em Milagres: "Não reconheces a magnitude deste único erro. Ele foi tão vasto e tão completamente inacreditável que um mundo de total irrealidade tinha que emergir. Que outra coisa poderia resultar disto? Seus aspectos fragmentados são bastante amedrontadores quando começa a olhar para eles. Mas nada do que tens visto nem de leve te mostra a enormidade do erro original, que aparentemente te expulsou do Céu para estilhaçar todo o Conhecimento da Vida em pequenas partes sem significado de percepções desunidas." Todos nós carregamos em nossas mentes sentimento de medo e de culpa. Inconscientemente julgamos que merecemos ser punidos pelo nosso pecado. Isso acontece para nós na forma de variados problemas, que vão desde os nossos pequenos problemas individuais, até grandes problemas de proporções coletivas. Desde uma pequena dor de cabeça, até um câncer incurável. Acidentes, deficiências, conflitos, guerras, assassinatos. Todas essas coisas parecem ser diferentes no que diz respeito à forma; mas por trás de todas essas formas o conteúdo é o mesmo. Tudo é a mesma ilusão: a crença na separação do Filho de Deus.

Enquanto o pensamento de separação não for corrigido, de nada adiantará a humanidade buscar soluções que podem ser encontradas no mesmo nível onde está o mundo. Há cem anos atrás, doenças como a lepra, a cólera, tuberculose e algumas espécies de gripes eram graves, fatais, incuráveis. O número de pessoas no planeta que morriam dessas doença era imenso. Com o passar do tempo, a medicina humana descobriu a cura para elas e as pessoas pararam de morrer. Mas então outras doenças começaram a aparecer, por exemplo, a AIDS, e a humanidade continua morrendo de doenças. Nunca na história humana houve tanta ocorrência de câncer como nos tempos atuais. No dia que a Ciência descobrir uma cura para as doenças que hoje são tidas como incuráveis, a existência inventará outras. Isso seguirá acontecendo até que a mente da humanidade seja curada do pensamento de separação. O mundo visível sempre irá refletir a percepção que o Filho de Deus tem de si mesmo em sua mente (mundo invisível). Se a percepção do Filho de Deus for corrigida, os acontecimentos no palco passarão a refletir símbolos condizentes com sua nova percepção.

A quinta pergunta: Se é verdade que estamos iludidos, então não estamos mais iludidos, porque é verdade, e temos conhecimento disso, que vivemos na ilusão. Voltamos então à pergunta: o que nos falta, para sairmos desse estado iludido, se é essa a "verdade"?

O que nos falta é deixar de acreditar na existência do pecado e de que somos culpados. Quando a mente do Filho de Deus (que é a sua e a minha mente) deixar de acreditar na separação, automaticamente nos veremos em nosso estado natural de unidade com Deus – um estado que já é verdade. Você já deve ter ouvido histórias contando que os mestres iluminados precisam manter-se apegados à pequenas coisas do mundo, se quiserem continuar existindo aqui para ajudar seus irmãos a despertar. Se eles abandonassem todos os apegos, eles não conseguiriam existir aqui, porque este mundo é feito de ilusões: desejos, apegos. Se você se desfizer das ilusões, a própria Realidade o atrai e você é "retirado" daqui. O mesmo acontece com o pecado. À medida que a ideia de pecado vai sendo purificada de nossas mentes, a ilusão de separação de Deus começa a ser desfeita, e nossa realidade de Unidade com Deus se evidencia. Nossa unidade com Deus não precisa ser desenvolvida. Não existe uma Realidade para ser alcançada, o que existe é uma ilusão a ser desfeita. O Núcleo diz que: "Não há sequer uma única nova verdade a ser revelada, nem mesmo uma nova consciência a ser desenvolvida. Nossa Consciência está plenamente desperta e já somos filhos de Deus, criados a Sua imagem e semelhança. O que nos falta é tão somente percebermos esta realidade nos desfazendo dos nossos condicionamentos."

Sexta pergunta: Outra questão: a ilusão é "ruim", ou tem um propósito sábio? 

O propósito inicial da Representação era "ruim", sem valor e sem "propósito". Mas o Espírito Santo de Deus corrigiu o pensamento de separação, dando um novo propósito à Representação. Isso tornou possível à Representação ser vivida com propósito, valor e sentido.

Sétima pergunta: E se estivermos correndo atrás de desfazer o cenário da peça, ao invés de atuar? 

Estamos fazendo as duas coisas! Na Representação podemos representar nossos papeis conscientemente (estando despertos, ouvindo e seguindo a voz do Espírito Santo) ou inconscientemente (indespertos, na ignorância, ouvindo e seguindo a voz do Ego). À medida que representamos os nossos papeis conscientemente, estamos também desfazendo a Representação.

Última pergunta: Enfim: para quê serve essa vida "tolhida"?

Perante Deus (ou o Céu), a Representação é completamente sem significado. Deus sequer tem conhecimento de que há uma Representação acontecendo. Sua Criação está pronta, e tudo o que é necessário existir está ali. 

Mas perante a própria Representação, nossas vidas tolhidas servirão ao propósito que escolhermos para elas: o propósito do Ego ou o propósito do Espírito Santo. Em um deles, a vida é algo inútil, desnecessário e sem valor. Em outro, a vida terá sentido, significado e valor. A Representação em si pode ser duas coisas diferentes, dependendo da percepção que tivermos dela. Isso significa que tudo na Representação - incluindo a própria Representação - é NADA. A natureza da Representação é o Nada, o Vazio. Ela é como um espelho vazio apenas esperando para refletir o que estiver diante dela. Ela não possui significado algum. Nós é que conferimos significado a ela mediante nossa percepção.

Adorei ter a oportunidade de escrever tudo isso. Foi muito proveitoso pra mim. 
Muito Obrigado, dr. Luiz!
Reverências!
Namastê!