"MAIOR É O QUE ESTÁ EM VÓS DO QUE O QUE ESTÁ NO MUNDO." (I JOÃO 4:4)

segunda-feira, maio 22, 2017

Amar ao próximo como a ti mesmo (Goldsmith)


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"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne. Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus." (Romanos 8: 1-14)


Espiritualmente, somos igualmente herdeiros de Deus, filhos de Deus – herdeiros, co-herdeiros. Humanamente, Deus nem mesmo nos conhece. 

Não somos sequer conhecidos por Deus humanamente. Se Deus conhecesse seres humanos, todos seriam perfeitos. Se Deus conhecesse seres humanos, todos haveriam de ser saudáveis, prósperos e sábios. 

Se Deus conhecesse seres humanos, jamais um deles morreria. Deus não conhece seres humanos – não conhece humano algum, porque os humanos seguiram o caminho da carne. 

Para sermos conhecidos de Deus nós devemos ser filhos de Deus, herdeiros de Deus; e, para sermos filhos de Deus ou herdeiros de Deus, precisamos fazer algo. Como vínhamos aceitando esta criação dualista, esta crença no bem e no mal, esta egoidade apartada de Deus, esta imagem de nós mesmos, e que não constitui o ser que somos – aceitando, entretanto, tudo isso até agora, teremos de fazer alguma coisa. 

E a missão toda de Cristo Jesus – sua missão integral – foi nos mostrar o que nos caberá fazer para nos tornarmos filhos de Deus novamente – sermos restabelecidos no reino de Deus.

Jesus ensinou-nos aquilo que devemos e aquilo que não devemos fazer. Apontou-nos que não devemos agir segundo a lei do “olho por olho, dente por dente”. Não devemos retribuir o mal com o mal. Muita coisa nos disse sobre o que não devemos fazer; porém, ele principalmente nos apontou aquilo que devemos fazer: “Ama o próximo como a ti mesmo”. 

Sim, logicamente, todo aquele sob a cobertura do céu conhece esta declaração: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Isto se tornou um clichê mundial. 

Mas, diga isto francamente às pessoas, de homem para homem ou de mulher para mulher, e elas lhe dirão: “Sim, entretanto isto não é nada prático! Era correto para Jesus, mas não para nós.” Elas não poderiam estar mais distante da verdade. Não puseram isto em prática, e não puderam testemunhar a sua praticidade. E isto não apenas é muito prático, mas, para ser franco, constitui a maneira única de nos restabelecermos no reino de Deus.

O amor não anseia por retorno ou recompensa: assim, se algo que porventura estiver fazendo contiver qualquer desejo de recompensa, reconhecimento, gratidão, aquilo se torna um trato, nunca amor.

Quando duas pessoas, que dizem se amar, assumem a atitude do tipo: “Você fará isto, enquanto eu farei aquilo”, saibamos que isso não é amor. Será um acordo. Amor é o que uma pessoa sente e executa sem o mínimo sinal de expectativa ou desejo de recompensa.

A melhor maneira de se explicar, está em pensar naquilo que fazemos por nossos filhos. Certamente não teríamos a intenção de fazer algo por eles na esperança de receber gratidão. Não, faríamos por aquilo ser nossa função como pais.

Se você conseguir expandir a mesma atitude com relação a todos, poderá eliminar de seus relacionamentos humanos todo tipo de discórdia. Os conflitos não surgem exatamente porque você aguarda algum retorno por algo que tenha feito? Ficando nessa expectativa, estará violando a lei espiritual.

Tudo o que lhe deve chegar na vida, deve provir de Deus, não de homens - tudo. 

Deve ser, para você, privilégio e alegria fazer todo o trabalho que lhe for dado com o máximo de sua capacidade, não por recompensa, reconhecimento, gratidão, mas porque ele deve ser feito, e a única forma de você se realizar será fazendo-o dando o máximo de si.

Sua recompensa, sua compensação e a harmonia de sua vida devem vir de Deus, não de homens. 

Assim, se alguém retiver gratidão, reconhecimento ou recompensa, estará prejudicando a si mesmo, e não a você. 

A gratidão é um dos maiores atributos do amor, e uma pessoa que não estiver repleta de gratidão estará vazia de amor, que, na verdade, significa estar vazia de Deus. 

Uma pessoa que não é agradecida, que não colabora, que não compartilha nada, nunca está prejudicando a outra pessoa. Estará prejudicando somente a si própria.

No meu entender, tudo que fazemos deve ser feito pela realização de Deus como nosso próprio ser. Um funcionário que se dirigir ao local de trabalho, esquecido de patrão, esquecido do valor do salário, executando tudo com o máximo de sua habilidade, logo estará sendo considerado indispensável, e terá sua recompensa.

Se ela não lhe chegar naquele emprego, virá em algum outro, porque se o empregador atual não for capacitado a notar este seu talento e bom desempenho, algum outro surgirá para fazê-lo, e acabará por contratá-lo. 

O ponto principal é que ninguém deverá jamais trabalhar meramente na expectativa de ser recompensado, pois sua recompensa poderá vir de outra direção.

O mesmo é válido nos lares: ninguém deverá fazer as coisas somente por reconhecimento ou gratidão, mas por aquilo ser o que lhe cabe fazer, e que deverá ser feito ao máximo de sua capacidade, na certeza de que a recompensa e reconhecimento virão de Deus, não de homens. 

Relacionamentos harmoniosos poderão ser mantidos somente nessa base. Se você investir em cada relacionamento o que lhe é devido, a harmonia é obrigada a acompanhar.

O Sermão da Montanha deve se tornar, para nós, um conjunto de princípios de vida. Deve ser considerado o padrão de nossa existência, se é que trabalhamos para sair da mortalidade rumo à imortalidade, para deixarmos ser alguém da terra, um homem natural, para, uma vez mais, sermos o Cristo. 

Há certas coisas que precisam ser feitas. Não devemos estar apreensivos quanto à nossa vida. Esta recomendação elimina todo tipo de oração por você mesmo, não? “Não esteja apreensivo quanto à sua vida”. Tente pôr isso em prática, e constatará quão louco poderá ficar, graças a Jesus e graças a mim. A Jesus, por ter ele dito isso primeiramente, e, a mim, por tê-lo lembrado disso. 

Observe como é difícil parar de orar por você mesmo, pela sua vida, pelo que irá comer ou beber, ou pelo que irá vestir. E, também, pelo transporte que irá ter, pelo lar que irá possuir, ou pela companhia que irá ter. Pense em varrer todas estas coisas de sua mente, a fim de poder ser filho de Deus, a fim de poder buscar a dimensão divina, o reino de Deus – o Meu reino que não é deste mundo. Você não conseguirá aplicar o Meu reino, a Minha graça, o Meu poder ou a Minha paz em cima “deste mundo”.

Tenho pedido aos nossos alunos, e continuarei a pedir, que eles dediquem um período de suas meditações diárias somente a Deus. Não por eles próprios, nem suas famílias, não por seus negócios, nem por seus pacientes ou alunos, e nem mesmo pela paz na Terra, mas tão-somente por Deus. 

Em outras palavras, que reservem um período de meditação em que irão a Deus com mãos limpas.

Conscientize:

"Pai, não busco nada. Não estou pedindo nada para ninguém. Não vim aqui para obter algo nem realizar algo. Estou aqui com o mesmo espírito com que iria ver minha mãe onde ela estivesse disponível. Apenas para visitar. Apenas para comungar. Apenas para amar. O amor entre minha mãe e eu é de tal natureza que adoraria me sentar perto dela, andar com ela, me sentar a seus pés, ou ficar em seu colo. Adoraria estar na companhia dela, sem me importar se por dias, semanas, meses, ou se ocasionalmente, apenas pudesse contar com 2 ou 3 minutos de seu tempo. Nada desejaria dela. Nada estaria buscando. Apenas a alegria de estar em sua companhia, sentindo a alegria que flui naturalmente da mãe pra um filho, pra uma criança. Por isso estou aqui hoje. Você é o Pai e a Mãe de meu ser. Você é a Fonte de minha vida. Você é minha Alma, o meu Espírito. Você é Aquele que me faz pulsar. E eu venho neste momento apenas pela alegria da comunhão. Não tenho favores a pedir. Nem desejos. Passemos este momento juntos, em comunhão. De tal forma que, onde Você estiver, eu esteja. E que eu me lembre de que onde eu estiver, Você estará, por sermos um. Apenas pela jubilosa percepção de que estou em Você e Você em mim. Sim, e se possível, sentir a certeza de Sua Mão na minha, ou um toque de Seu dedo em meu ombro. A Sua Presença me basta, é Tudo! A Sua Presença!"


quinta-feira, maio 18, 2017

Paz: o Segredo da Vida Espiritual

- Joel S. Goldsmith -

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou;
não vo-la dou como o mundo a dá.
Não se turbe o vosso coração,
nem se atemorize.”
(João 14;27)


Minha paz, a paz de Cristo! Têm-se efetuado mais curas em absoluto silêncio do que com todos os argumentos elaborados por todos os metafísicos conhecidos na história do mundo.

Quando te pedirem ajuda, senta-te e fica em paz. Não penses nada: senta-te e espera. Espera. Espera pacientemente que a paz de Cristo desça sobre ti. E então, nesse momento de paz, calado, testemunharás a cura.

O único valor do tratamento consiste em nos elevar a um nível de consciência que nos permita o desdobramento da consciência espiritual. Agora, porém, estamos numa posição diferente daquela em que procurávamos curar por meio de tratamentos. Já atingimos em ponto, em nosso desenvolvimento, que nos facilita encetar o próximo passo ascensional.

Embora a princípio tivéssemos necessitado de argumentos mentais, de afirmação e negações, agora não recorreremos mais a tal método. Aprende a sentar-te e relaxar os músculos. Não importa se o caso for de pecado, doença, morte ou desemprego.

Senta-te e descontrai os músculos. Não tentes resolver o problema. Não tentes trabalhar sobre ele. Não tentes tratar dele. Senta-te descontraído e, em silêncio, cria uma espécie de vácuo para que Deus, o Cristo, se precipite nele. Senta-te e abandona a ideia de que a mente humana possa curar: o curador é o Cristo, ou seja, a Substância Espiritual Única Eterna, permanente e Invisível.

A essência de todo o nosso trabalho é esta: Deus é, Deus está presente. Deixemos, pois, que Deus trabalhe em nós e por meio de nós na execução de Seu plano.

Ao invés de ficares a repetir "Deus, Deus, Deus", deixa que Ele realize Sua obra, visto que "Ele é".

"A minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo".

O mundo pode dar-nos certa espécie de paz. Pode proporcionar-nos um lugar sem ruídos, um sítio tranquilo ou um passeio marítimo. Esta é a paz que o mundo nos pode oferecer.

Aqueles que viajam para lugares distantes, vão consigo mesmos e regressam a seus lares consigo mesmos. Não podem fugir de si mesmos. Quem tem problemas leva-os consigo aonde quer que vá. Devemos abandonar tais esforços inúteis

A mente humana não é o Cristo. Há muitos anos que se vêm fazendo esforços mentais em tentativas de curas. Entretanto, diz a Bíblia: "Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos".

O que adianta tudo o que temos pensado? A verdade é que a mente humana não desempenha nenhum papel na realização da cura. O trabalho de cura espiritual é feito exclusivamente pelo Cristo, ou seja, pela essência divina presente em todos nós.

Cura espiritual é aquela que resulta da autorrealização consciente em Cristo - a Substância Espiritual que permeia todas as aparências -, não de argumentos mentais, nem do emprego de meios externos, como a medicina e a cirurgia.

"A minha paz vos dou". Nessa paz que excede todo o entendimento, nessa quietude, nesse silêncio é que o poder de Deus se manifesta e executa o trabalho.

Muitos nos procuram parecendo querer somente pães e peixes, ao invés de buscarem a Deus por Deus mesmo. Não devemos preocupar-nos com isto. Não nos devemos preocupar com o que parecem querer. Continuemos cantando nossa canção. Os que puderem a ouvirão; os outros talvez ainda não estejam aptos a ouvi-la.

Constatarás que sempre se operam mais curas ante um sorriso, ante o simples reconhecimento da presença de Deus, do que por esforços mentais. E essas curas são mais autênticas, mais suaves e duradouras, porque resultam da descida do Espírito Santo, ou seja, do próprio Cristo, ao penetrar na consciência humana e banir as crenças errôneas dos sentidos físicos.

Que é o que se requer para andar sobre as águas e acalmar tempestades? Algum argumento mental? Alguma negação? Alguma afirmação? O que Jesus disse à tempestade foi: "Paz! Fica quieta!" E foi o bastante: Paz! fica quieta!

Todos aqueles que tem feito trabalhos de cura sabem que ela se opera quando se experimenta essa sensação de paz, esse estado de autorrealização em Cristo - a essência espiritual única. O que talvez não conheçam é o porquê da cura.

Permitam-me explicá-lo: É porque nesse estado de consciência, nessa paz, o curador não luta, não opõe resistência ao erro ou falsa crença.

Isto me deu o que pensar. Foi a minha primeira experiência de cura pelo esquecimento da doença.

Isto eu aprendi por experiência no meu primeiro ano de serviço de cura. Um homem que sofria de tuberculose foi levado ao meu gabinete por um amigo. Ao atendê-lo, ele mencionou sua dificuldade em comer alimento sólidos, por sofrer de piorréia, e pediu-me que o curasse disto também. Assegurei-lhe que sim. Mas esqueci-me completamente da promessa que fizera. Na manhã seguinte ele me telefonou e disse: O que foi que o senhor fez por mim? Levei cinco minutos escovando os dentes com uma escova dura e notei que já estão todos firmes.

E logo depois tive a segunda, quando uma moça me telefonou pedindo ajuda para livrar-se de uma forte dor de cabeça. Achava-se no meu consultório um paciente que, reconhecendo a urgência do caso, levantou-se para sair, mas antes de chegar à porta, o telefone tocou novamente: era a jovem, para comunicar que a dor tinha passado. A cura fora instantânea.

Tais coisas não ocorrem a ninguém que se dedique a este trabalho sem que o leve a pesquisar-lhe a causa, a indagar se são acidentais, se acontecem por acaso, ou se revelam a existência de um princípio que as determine.

Estudando e observando meticulosamente tudo o que pudesse contribuir para a descoberta do segredo, aprendi que a cura espiritual não é produzida pela mente humana, mas por um estado de Consciência Crístico.

A Consciência Crística é o entendimento de que a doença não existe como realidade e não deve ser combatida. Ao esquecer a doença, o curador mostra que não a leva muito a sério.

Aquele em que a luz de Cristo se evidencia na realização de curas não faz do erro uma realidade, pois não o combate. Pelo contrário, reconhece pacificamente o fato de que Deus constitui a vida do ser individual, conscientiza-se de que a cura não se efetua por força nem poder, mas pelo Espírito.

Se uma só pessoa sentada em silêncio numa sala, em estado de receptividade, pode fazer com que o silêncio ou paz que ela experimenta seja sentida por todos os que se encontrem dentro da mesma sala, qual não será a repercussão do grande poder de silêncio mantido por todos os pequenos grupos de pessoas que estejam em meditação, espalhados por todo o mundo?

Se a tua consciência estiver permeada pelo silêncio, pela paz, estará impregnada do poder de cura. A realização da cura depende do estado de consciência do curador. Essa consciência é o que determina a cura daqueles que recorrem a ti, não que este poder seja tua propriedade pessoal.

O poder de cura é a presença de Deus, o Espírito, manifestando-se como consciência individual. Tu não tens este poder, a menos que tua consciência esteja unida ao Amor divino, à paz que excede todo o entendimento.

Se quiseres entrar para o mundo dos negócios, se quiseres ser bem sucedido comprando e vendendo alguma coisa ou trabalho de cura: começa com a consciência em paz. Não inicies nada com medo, dúvida ou preocupações, pois do contrário, estarás transmitindo tal estado de ser negativo àqueles com quem negociares, e eles também o sentirão. Vai com este silêncio em teu coração, vai em estado de paz.

Se necessário, antes de fazeres tua visita de negócio, isola-te em algum lugar, por um ou dois minutos, senta-te e obtém essa sensação de paz, antes de saíres de casa.

Observa o que essa sensação de paz já fez por ti, e atenta no que ainda fará.

A paz na consciência é um estado de receptividade.

Finalmente, vamos aprender o maior de todos os segredos, o segredo que até agora muito pouca gente conhece: o que é Deus.

Se estudarmos as Escrituras, se estudarmos as religiões e filosofias do mundo, provavelmente chegaremos à conclusão de que Deus é alguma coisa que está muito distante de nós, algo que pouquíssimas vezes se toma contato, algo que pouquíssimas vezes responde às nossas preces de acordo com os nossos desejos, necessidades e vontades.

Por não saber o que é Deus, continua o homem, geração após geração, orando pela paz do mundo e não conseguindo paz, orando pela prosperidade, pela vida, pela saúde e imortalidade individuais e não as conseguindo.

Se somos cristãos, devemos pelo menos saber onde Deus está, porque Jesus nos disse que o reino de Deus está dentro de nós. Somente isso, se o tivéssemos crido, teria sido uma base maravilhosa para a nossa pesquisa.

Se os nossos pais, avós e outros que nos precederam tivessem passado estes últimos dois mil anos buscando o reino de Deus dentro de si mesmos, este já teria sido encontrado e estaria manifesto. Ao invés disto, porém, todas as gerações que nos antecederam têm-se voltado para alguns mestres postos em evidência, ou têm volvido os olhos para o firmamento ou em outra direção qualquer, menos para onde lhes fora aconselhado, isto é, para dentro de si mesmos.

É chegada a hora, neste século, de começarmos a olhar para esse reino dentro de nosso ser, porque é onde encontraremos Deus. Embora possa falar-te desse reino, somente tu poderás fazer com que ele se revele dentro de ti mesmo.

Então saberás realmente que Deus é Vida eterna, Consciência infinita. E saberás também que essa Consciência divina, universal, está Se manifestando como tua consciência individual, para que, finalmente, possas declarar como quem tem autoridade: Eu e o Pai somos um.

Precisamos conhecer a natureza de Deus e sentir-lhe a presença.

Espero que no próximo decênio não continuemos como até agora, apenas a falar acerca de Deus: já é chegado o momento em que devemos conhecer a Deus por experiência.

Não devemos passar superficialmente por esta parte do ensino de "O Caminho do Infinito", porque é a mais importante.

Precisamos ver a Deus enquanto ainda estamos na carne – tu e eu, individualmente, aqui e agora, sem, esperarmos pela morte. Precisamos conhecer a Deus diretamente em nossos períodos de silêncio, em nossos momentos de paz.


segunda-feira, maio 15, 2017

Dispersando as crenças universais

- Joel S. Goldsmith -


A Maioria das pessoas aceita essas crenças universais na sua forma aparente, e depois sua experiência de Vida é influenciada por elas.

Nós, entretanto, precisamos treinar para não a aceitar as crenças do mundo: não aceite essa sugestão de sessenta anos mais dez, não aceite a sugestão de que uma moléstia é perigosa ou séria. Lembre-se: trata-se apenas de uma sugestão.

Qualquer crença pode ser posta de lado, mas o mesmo pode acontecer com uma lei de Deus – ESPÍRITO. A Lei de Deus é Vida Eterna.

A lei de Deus é : “Tudo o que Eu tenho é teu” – toda eternidade, toda imortalidade.

Isso não pode ser posto de lado, mas tornando-se uma lei dentro do seu próprio ser através da compreensão de que o seu é um domínio dado por Deus, a crença de que você tem que morrer em qualquer ocasião específica pode ser posta de lado – quer seja um médico que diga isto, quer seja a Bíblia com seus sessenta anos mais dez, quer seja as estrelas que o digam.

Deus deu ao homem o domínio sobre as coisas da terra, sobre as águas, sobre as estrelas, sobre os céus.

Deus deu a você, que é o Seu próprio SER individualizado, o domínio, mas você precisa exercer conscientemente esse domínio e não ficar quieto e deixar que as crenças universais atuem sobre você.

Lembre-se de que essas crenças, essas crenças universais – sejam médicas ou teológicas – agem realmente sobre você, até que sua consciência as ponha de lado.

Em outras palavras, a cada dia do ano você está ficando mais velho e, a menos que esteja conscientemente trabalhando essa crenças percebendo que “Minha Vida é Deus e, portanto, não tem idade”, você passa a ser influenciado por essa crença humana acerca da idade e chegará ao lugar que é conhecido como mudanças de vida, e por fim mostrará sinais de idade, porque passará através de todas as várias fases da vida de acordo com as crenças da medicina, até que você mesmo, conscientemente tome posse da sua vida através do domínio dado por Deus – Espirito e compreenda: “ Não! Minha Vida é Deus! Idade e mudança são apenas crenças ou sugestões médicas e não tem de agir sobre a minha consciência ou através delas”.

Milhares podem tombar à sua esquerda e dezenas de milhares à sua direita – se não se ativerem a esta Verdade Universal.

Todos têm o direito, seja por escolha, seja por ignorância, de passar a vida à sua própria maneira.

Você tem o direito de ater-se à sua própria maneira de existência e determinar o seu curso e o faz desta maneira: Quando surgir qualquer forma de erro, esteja seguro de que o reconheces pelo que ele é, de modo que ele não o engane.

Não deixe que o erro faça você aceitar uma pessoa doente ou pecadora e depois tentar reformá-la ou curá-la. Se você fizer isso, será um cego guiando outro cego.

A única diferença entre um prático e um paciente é que o prático não pode ser hipnotizado para acreditar que o seu paciente é um ser humano.

O Praticista sabe que, apesar das aparências, seu paciente é Deus aparecendo como ser individual, e o praticista não aceitará outra coisa além disso. Da mesma maneira, o praticista não aceitará uma pessoa doente, uma pessoa mentalmente perturbada ou pecadora como paciente.

Sua resposta sempre será: “Para trás, Satanás"! Você é apenas um falso sentido tentando fazer com que eu o aceite como realidade. Eu o conheço: portanto, pode tirar a sua máscara.

Pela REINTERPRETAÇÃO e pela IDENTIFICAÇÃO CERTA, você pode verdadeiramente chegar a um estado de consciência em que a vida se torna, não um processo mental, mas um olhar para fora e uma visão de Deus, uma visão de que tudo está bem com o mundo.


sexta-feira, maio 12, 2017

Silêncio e Paz como chave para perceber o Espírito de Deus

- Joel S. Goldsmith -


Paulo de Tarso experimentou a paz como a "descida do Espírito", isto é, como a descida do Espírito de Deus no homem.

Essa expressão é usada para descrever que quando estamos em silêncio, Deus preenche nossa consciência muito mais do que quando nossa mente está em atividade.

É-nos difícil imaginar esse estado de ser, porque estamos habituados com a ideia de que precisamos estar sempre pensando, ou que necessitamos reter algum pensamento. Isto não é verdade. Se pudermos ficar em silêncio por meia hora, mas em verdadeiro silêncio, estaremos no céu.

Silêncio é Deus em ação. Portanto, quando se nos depare algum problema, nosso ou de outrem, deveremos ficar em silêncio, deixando que a solução apareça.

Suponhamos que hoje alguém nos venha com um problema qualquer, como de desemprego, algum vício, alguma doença. Ao invés de refutar a ideia da existência do problema, procuremos ver através dele, olhando para além de sua aparência, visto que ele existe somente como aparência.

Ora assim, em atitude de escuta interna: Pai, projeta luz sobre este problema, para que eu possa vê-lo como é. E observa o que este tratamento fará por ti.

Em outras palavras, quando vires os dois trilhos de uma estrada de ferro se juntarem num ponto, não te perguntarás o que devas fazer para separá-los, mas pedirás ao Pai que te mostre esses trilhos como eles estão. E não precisarás mais pensar nisso.

Não tentes melhorar ninguém, nem a sua saúde. Não aceites em tua consciência o pensamento de que possa existir alguém com saúde precária.

Senta-te e fica em estado de receptividade, relaxado, em silêncio, em paz; deixa que a paz penetre todo o teu ser e, em chegando a este ponto, continua ainda em atitude de escuta interna, observando como a luz dissipa as trevas, como a inteligência dissipa a ignorância. E então perceberás que, na verdade não és o curador, mas sim uma testemunha que observa como esse estado de paz efetua a cura.

Deves ser um observador da atividade de Cristo, ou seja, de Deus. Observa como Ele trabalha em nós, através de nós e como nós.

Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, uma não tivesse caridade, seria como bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

O que importa é o amor, ou seja, a Percepção de que só existe Um Espírito sendo Tudo, e não as palavras, por mais eloquentes que pareçam, e não as afirmações acerca da verdade, por mais enfáticas e vibrantes que sejam.

Se os sermões e as afirmações acerca da verdade não forem repassados na percepção de Unidade com Deus - o Infinito Invisível, de nada servirão ao ministério de cura.

O importante não são as palavras em si, ou a letra da verdade.

O que importa é até que ponto o praticante de cura espiritual está cônscio de que Deus é amor e vida, até que ponto o curador se tornou incapaz de temer, detestar ou amar o erro, sob qualquer aspecto que este se apresente.

Lemos no Evangelho segundo João: Não que alguém tenha visto ao Pai; somente quem é de Deus viu ao Pai. Isto é o mais importante.

Nenhum mortal, nenhum ser humano pode ver ou conhecer a Deus. Somente o Filho de Deus, a Consciência Crística de cada um pode ver ou contemplar a presença de Deus.

Em outras palavras, não é a nossa mentalidade humana que conhecerá a Deus. Com a mente humana, jamais veremos, jamais conheceremos a Deus, a vida espiritual. Mas o Filho de Deus, a Consciência Crística, nosso sentido espiritual, pode PERCEBER Deus.


terça-feira, maio 09, 2017

Não te glories na carne, mas na Presença do Espírito


- Joel S. Goldsmith -


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Quando conscientizares o Espírito, poderás multiplicar pães e peixes. Poderás fazer o que quiseres, porque não serás tu que o farás; será o Espírito da Verdade, o qual conscientizaste. Ele tomará forma. Mas não te glories com as formas externas resultantes dessa união interna.

Tem cuidado para não te dares por satisfeito com a abundância de suprimento, com um corpo sadio, ou uma felicidade cotidiana.

Não te contentes com coisa alguma que esteja no plano da carne, da forma, dos efeitos.

Não quero dizer que não devas apreciar estas coisas. O que não deves é dar-te por satisfeito com elas.

Quando estiveres satisfeito com o suprimento que possuis, não te alegres com isso como se fosse uma demostração. Rejubila-te no Espírito invisível que o está produzindo.

Quando alguém te disser: estou me sentindo melhor, toma cuidado para que não te sintas demasiado feliz.

Lembra-te que os efeitos externos produzidos hoje poderão mudar amanhã.

Volta-te para o Espírito que está interiormente por detrás da personalidade, e sê grato por ter havido uma percepção consciente do Espírito, pois é a essa que deves a cura da doença, o emprego que apareceu, a alegria que se manifestou, ou seja o que for.

Cuida para que não te glories na carne em seu sentido externo, como forma material de manifestação: Mas gloria-te no Verbo que se fez carne. Esta carne é a carne invisível, ou seja, é a Presença do Espírito de Deus.

Não raro os metafísicos perdem toda a sua demonstração de harmonia interna porque, no momento em que suas tendas duplicam, julgam ter feito uma demonstração de poder.

Na verdade, houve tal demonstração, mas esta não consistiu na duplicação de rendas e sim na demonstração da presença do Espírito, que se manifestou como aumento de renda.

Os hebreus que estavam com Jesus, quando da multiplicação dos pães e peixes, julgaram ter feito uma demonstração de poder. Mas não fizeram tal demonstração, porque no dia seguinte estavam novamente com fome. Onde estava sua demonstração da presença do Espírito?

Mas Jesus fez uma demonstração. Fez uma demonstração da conscientização da Presença de Deus, e assim pode multiplicar pães e peixes em qualquer dia da semana e todos os dias da semana.

Jesus provou que podia encontrar ouro na boca de um peixe. Não era que ele estivesse tentando multiplicar pães e peixes; o que ele fazia era levantar seus olhos, cônscio de que sua demonstração era a presença do Espírito de Deus. Sua conscientização da Presença, foi sua demonstração, e quando fez tal demonstração, os defuntos se levantavam, os pães e peixes se multiplicavam e se encontrava ouro em boca de peixe, Por quê?

Porque Deus é a Substância de todas as formas materiais. Mas, se não tiveres a Presença de Deus, não poderás manifestar a forma externa.

Não te glories com casos de cura. Jamais dês testemunhos de cura, a não ser para ilustrar o princípio ou a ideia espiritual que a produziu.

Se hoje tens saúde ou és rico, é coisa relativamente sem importância. O que importa é a autorrealização espiritual a convicção de que Deus é o seu SER. Isto é que te dará eterna saúde e eterna riqueza.

Nunca te glories com exibições de curas. Nunca de glories ainda que consigas curar mil cânceres porque se te vangloriares com efeitos, no dia seguinte poderás te ver atrapalhado por um resfriado comum.

Não te glories na demonstração de suprimento tanto para ti mesmo como para teu parente.

Alegra-te por teres visto a face de Deus, por teres testemunhado a presença do Espírito, que por sua vez tornou-se evidente como cura ou como suprimento de necessidades.


sexta-feira, maio 05, 2017

Vivendo acima das aparências do bem e do mal - 2/2

- Joel S. Goldsmith - 


Quando nos conscientizamos da existência de UM só poder, cessamos não só de procurar poderes materiais para prover às nossas necessidades, mas também de andar em busca de poderes espirituais. Se existe UM só poder, então nada há sobre o quê, contra o quê ou a favor do quê, possamos usá-lo.

Que quer isto dizer, em essência? Que significa alcançar um nível de consciência em que se abandona todo desejo de empregar Deus como uma força? Não será isto libertar a Deus de responsabilidade? Não será exatamente isto o que temos que aprender a fazer?

Deus está em permanente atividade. Deus é a influência criadora, sustentadora e mantenedora do Universo espiritual. Deus o governa e o governará pela Graça, não a partir de amanhã ou da próxima semana.

A Graça divina tem estado em ação de eternidade em eternidade, e continuará de eternidade à eternidade, insubornável e insuscetível às influências das nossas orações ou súplicas ou ao que quer que façamos para persuadi-lo a fazer Sua obra de acordo com o nosso parecer.

Deus É, e esta afirmação encerra a verdade de que Ele está eternamente ocupado com Sua tarefa, a tarefa de Ser Deus.

O que nos incumbe, na oração e meditação, é conhecer a verdade para que a verdade nos liberte; e conhecer a verdade de que existe somente um poder; conhecer a verdade de que "Não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto"; conhecer a verdade de que, no reino de Deus, "luz e trevas são a mesma coisa".

Esta firme e constante dedicação à compreensão da verdade, desenvolverá um estado de consciência que não oscila entre o bem e o mal: um estado de consciência que, pelo menos com certa estabilidade, adere ao caminho e à realização espiritual.

Deus é, mas, para sabermos espiritualmente que Deus é, temos que nos elevar acima do tempo e do espaço.

O que Deus é, é de eternidade à eternidade. Portanto, coisa alguma pode estar fora da jurisdição de Deus; coisa alguma jamais poderá funcionar mal no reino de Deus. Precisamos substituir a base material do nosso estado de consciência, em que esta funciona sob a crença em dois poderes, pelo apoio da essência de Deus.

No reino de Deus não há nada de natureza mutável, coisa alguma de natureza discordante ou desarmoniosa, nada que precise ser curado ou aperfeiçoado. Em tal estado de consciência, já não somos hipnotizados por aparências, nem compelidos a tentar insistentemente mudar o mal em bem, ou a procurar apegar-nos a qualquer coisa de bom aspecto, seja ela o que for. Isto de modo nenhum afeta nossa vida externa.

Quando atingimos esta realização, a nossa vida se torna mais harmoniosa, e já não nos preocupamos com a mutação das aparências, que antes eram más e agora são boas, e sim com a realidade espiritual que desponta no campo da nossa consciência.

Algumas vezes os estudantes da ciência espiritual não se sentem felizes com o desinteresse pelas coisas do mundo, que surge quando prosseguem na busca. Sentem-se como se estivessem perdendo algo de valor. Seus tesouros de arte, seus animais de estimação e os velhos amigos já não lhes são tão importantes. Passam a encarar o mundo – o corpo e até mesmo a vida – mais objetivamente. Perdem muitas das emoções que constituem grande parte da vida humana.

Enquanto avançam pelo caminho espiritual, são reorientados quanto aos valores humanos, e assim não sofrem muito com os aspectos negativos da vida humana, mas também não se alegram tanto com as coisas boas, como outrora. As emoções ou sentimentos mundanos já não entram tanto em sua vida de rotina. Em compensação, há vantagens que ultrapassam em muito as perdas.

Quando nos tornamos espectadores, não olhamos a vida com ansiedade pelo que esteja para acontecer. Contemplamos o que Deus está fazendo. No caminho espiritual, ao acordar pela manhã o espectador se compenetra de que "Este é o dia de Deus, este é o dia que o Senhor fez", e pergunta-se a si mesmo: Que experiência me trará hoje a atividade de Deus?

Nesta atitude objetiva, isenta de apego às coisas materiais, passamos o dia inteiro na expectativa de algo prestes a acontecer, na certeza de que o que quer que aconteça nesta hora, na próxima ou depois, terá sido produzido por Deus, será o efeito da Sua atividade.

Começamos então a conhecer por experiência própria certo estado de harmonia profunda, imutável, em que os efeitos externos já não nos interessem como em outros tempos: chegamos àquele nível de consciência que nos permite discernir espiritualmente a natureza ilusória das aparências boas ou más.

O interesse pelas aparências apenas favorece e perpetua sua influencia hipnótica.

Pela manhã, ao meio-dia e à noite, precisamos afirmar intimamente nosso equilíbrio espiritual, baseados na compreensão de que no reino de Deus não existe bem nem mal, mas somente o Espírito, e que o bem e o mal que aparecem no reino deste mundo são igualmente ilusórios.

Se desejarmos efetuar uma demonstração espiritual da natureza do Cristo, ou seja de natureza cristã, não podemos preocupar-nos com aparências transitórias, mas precisamos apegar-nos à Verdade espiritual, interna. Embora incorpóreo e invisível à vista humana, o reino de Deus é real e tangível para aqueles que possuem visão espiritual para contemplá-lo.

A individualidade espiritual, inerente ao Reino de Deus, não pode ser vista a não ser pela percepção espiritual, ou seja, pela Consciência Crística que Somos. Não podemos ver a identidade espiritual com nossos olhos físicos, mas, assim como Deus pode olhar a luz e as trevas e vê-las como uma só coisa, também os espiritualmente iluminados podem olhar para além das boas ou más condições humanas e contemplar as qualidades do Cristo.

De acordo com o ensino místico, nós não temos direito de olhar para um ser humano com o intuito de mudar o mal em bem, a doença em saúde ou a pobreza em abundância. O que devemos fazer – e é imperioso que o façamos – é olhar para além das aparências e nos compenetrarmos de que: "Embora invisível aos meus olhos humanos, este é o Cristo, o filho de Deus. Não pretendo mudá-lo, melhorá-lo reformá-lo. Olho para além da aparência e me lembro de que embora não possa vê-la, o que aqui está é identidade espiritual."

Para aqueles que tenham sido treinados para perceber a irrealidade das aparências, isso talvez não pareça muito difícil, mas a razão por que a maioria de nós não alcança maior êxito nessas tentativas de ver além das aparências, é o fato de não aplicarem este princípio quando vêem as boas aparências humanas. 

Por que nos contentamos com as aparências de saúde, riqueza, sucesso e felicidade, se todo o quadro é suscetível de inversão de um momento para outro? Não é fácil a qualquer um, nem mesmo ao buscador espiritual, ser capaz de olhar para si mesmo, para os amigos ou para os parentes, quando eles gozam da melhor saúde e são ricos e puros, e compenetrar-se de que tudo isto é aparência, porque a Realidade, o Cristo, o Filho espiritual de Deus, é invisível aos olhos dos humanos.

Contudo, quem for capaz disto, estará sempre convivendo com a individualidade espiritual de seus amigos, parentes e estudantes. É o próprio amor divino, fluindo através dele, o que lhe estará fechando os olhos às aparências e mostrando-lhe a Alma de cada pessoa, tanto das boas como das más – a mesma Alma pura, que é Deus.

À medida que pudermos estar neste mundo sem pertencermos a ele – em que pudermos estar nele e, não obstante, não sermos fascinados pela identidade humana das pessoas, e que compreendermos que toda pessoa é realmente a Alma de Deus manifestada nesta terra – estaremos vivendo no Meu reino. Isso exige visão interna desenvolvida, capaz de perceber a presença de Deus em cada pessoa.

É surpreendente como ocorrem milagres quando abandonamos todas as tentativas de transmutar pessoas más em boas ou enfermas em sadias, e começamos a viver nesta conscientização: "Senhor, revela-me Tua Individualidade espiritual; revela-me Teu Filho espiritual; mostra-me o filho de Deus em cada individuo."

Com essa visão, começamos a perceber e sentir a filiação espiritual de todos aqueles com quem convivemos, e eles passam a agir diferentemente com relação a nós, e o mesmo acontece conosco com relação a eles, porque já não os tratamos como julgávamos que merecessem ser tratados. A ninguém condenamos, porque então sabemos que o mal que alguém faça será por ignorância quanto à sua divina filiação.

Os crimes contra a sociedade e o individuo, tais como a mentira, o roubo, o embuste, a fraude, só podem ser cometidos enquanto pensamos que tu és tu e eu sou eu. Tudo isto cessa no momento em que descobrimos que somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai, que pertencemos à mesma casa.

De imediato isso torna o mundo menos real aos nossos olhos, e mais real o "Meu reino", revelando o Universo como um reino espiritual, onde nada precisa ser conseguido pela força.

Eis a vida mística: não nos rejubilemos com a boa aparência humana, mas olhamos para além do bem e do mal, para além das aparências humanas, e contemplamos a natureza do Cristo. Podemos fazer isto. Todos podemos fazê-lo.

É verdade que isto requer alguma disciplina, algum treino, porque o que estamos procurando fazer é superar os efeitos de centenas de gerações daqueles que nos deixaram como herança a crença em dois poderes.

Estamos pondo de lado tanto o bem como o mal, para contemplar o que é o Espírito; estamos pondo de lado a saúde e a doença, a fim de nos identificarmos com o Cristo – nossa individualidade permanente em Deus. Somente nossa individualidade espiritual de filhos de Deus nos permite comer do manjar que o mundo não conhece.

Não é por sermos boas criaturas humanas que qualquer de nós pode proclamar-se co-herdeiro com Cristo, porque as boas qualidades humanas estão tão longe do céu tanto quanto as más.

Os escribas e fariseus eram o que havia de melhor entre os hebreus, eram os mais religiosos, os maiores adoradores do Deus único, os maiores protetores do templo. Ser bons, era a sua obsessão. Não obstante, Jesus disse aos seus seguidores que a bondade deles precisava transcender a dos escribas e fariseus. Isso, humanamente, teria sido quase impossível, porque estes, praticamente, já haviam atingido a perfeição.

A verdadeira bondade depende de nossa capacidade de compreender que o Reino de Deus nos pertence em virtude de nossa identidade espiritual, e não de nossa bondade humana.

Isso implica em sermos bastante corajosos para lançar fora os pensamentos relacionados com todas as nossas maldades do passado e do presente e, ao mesmo tempo, todos os pensamentos referentes à nossa bondade – e não em condenarmos o mal que tenhamos feito e tomarmos a nosso crédito o bem que tenhamos praticado –, e afirmar somente a nossa identidade espiritual em Deus.

Nesta ligação com Deus, descobriremos que somos um com Ele, que somos co-herdeiros com Cristo de todas as riquezas celestes. Mas enquanto pensarmos que os nossos maus caminhos estejam nos mantendo afastados dessas riquezas, ou que o bem que pratiquemos esteja nos aproximando delas, estaremos em caminho errado.

Tão longe da Luz está o que crê que algum pecado, alguma desgraça temporária ou algum erro por ação ou omissão o separa de Deus, quanto aquele que acredita que sua bondade humana lhe esteja granjeando a graça de Deus. Ninguém alcança a graça de Deus apenas por sua bondade humana: a graça de Deus se alcança pela realização de identidade espiritual. Em reconhecendo nossa identidade espiritual, seremos espiritualmente bons sob todos os aspectos.

Não há meios de se saber como essa Bondade corresponde à bondade humana, mas a integridade espiritual vem somente através de nossa Unidade com Deus – a Realidade Espiritual Una, indivisível. Não vem como conseqüência de nossas qualidades ou de nossos sacrifícios ou esforços pessoais.

Nossas experiências humanas do passado e do presente, tanto boas como más, constituem o sonho mortal, mas, em nossa Alma, somos Luz interna, somos o Ser-de-Deus, isto é, somos criaturas divinas; em nossa Luz interna, somos filhos de Deus; nas profundezas de nosso ser interno, somos um com Deus; e temos um manjar que, embora possamos não ter conquistado ou merecido, recebemos por herança divina.

Sabemos em nosso íntimo que muitos de nós temos recebido ou recebemos mais do que merecemos. E ainda receberemos muito mais em nossa vida espiritual, quando virmos a bondade de Deus derramar-se sobre nós mais depressa do que podemos reconhecê-la, e compreendermos que nada em nossa vida nos dá direito a isto, que nos vem como graça de Deus, da qual nem a vida nem a morte nos pode separar.

Em lugar algum onde possamos ir, estaremos privados da proteção de Deus, fora de Sua jurisdição, de Sua vida ou de Sua lei. Tanto faz vivermos neste ou no outro lado do véu, isso é de importância secundária, exceto para aquelas poucas pessoas que acharão falta de nossa presença física. Mas logo que esse estado emocional desaparece, tudo volta ao normal, porque, na verdade, nada muda, nada se perde, ninguém foi ferido; pois em Deus, vida e morte são a mesma coisa.

Vida humana e morte física são meras aparências mortais, ilusões humanas. A compreensão de que ambas são da mesma substância – urdidura feita do nada –, e que não há diferença entre uma e outra, nos permite discernir o significado da imortalidade.

A imortalidade nada tem a ver com a vida ou morte físicas, porque vida e morte são quadros ilusórios, enquanto que a imortalidade, ou qualidade do que é eterno, incorpóreo, é o espiritualmente real. Vida e morte são duas fases características da ilusão humana, assim como doença e saúde, pobreza e riqueza, pecado e pureza.

No caminho espiritual, temos que superar o mal e o bem, e embora seja verdade que em nosso primeiro estágio procuramos mudar a doença em saúde, à medida que avançamos, nós vamos identificando conscientemente com o reino e a presença de Deus como Espírito; vamos compreendendo que temos de nos elevar acima tanto da doença quanto da saúde.

Para a consciência iluminada, trevas e luz são a mesma coisa.


quarta-feira, maio 03, 2017

Vivendo acima das aparências do bem e do mal - 1/2

- Joel S. Goldsmith -


Desde aquele período da Criação referido no segundo capitulo de Gênesis, vem o homem vivendo sob a influência de dois poderes aparentes, vem ele flutuando entre o bem e o mal, experimentando muitas vezes mais a influência do mal que a do bem.

No entanto, quando compreende a ideia da unicidade do Poder, e percebe que não há poder do bem nem do mal, já não é fascinado pelo bem nem pelo mal da experiência humana, e deixa de identificar-se com as sensações provocadas por um ou por outro.

Pouco a pouco ele aprende a encarar o mal friamente, sem emoção, e sem atribuí-lo a ninguém e, poder-se-ia dizer, quase sem comiseração. Reconhece a natureza das aparências e as aceita como tais, isto é, como ilusórias.

Isto nem sempre é fácil. Todavia, é menos difícil identificar a aparência do mal que a do bem. Fácil ou difícil, porém, o homem precisa tomar e manter uma atitude interna que lhes permita estar sempre cônscio de que se o bem não provier de Deus, será transitório, e nada lhe adiantará deleitar-se com ele.

É óbvio que, se por um lado esta atitude tira muitos dos aspectos agradáveis da vida humana, por outro nos poupa de muitas de suas misérias, substituindo as emoções negativas pela convicção interna de que, por detrás do cenário visível, existe uma realidade espiritual que a qualquer momento poderá revelar-se totalmente.

Quando nos pedem ajuda, nossa primeira reação é o desejo de mudar a aparência do mal em aparência do bem. Entretanto, se quisermos viver espiritualmente, precisamos nos compenetrar de que o objetivo do ministério espiritual não é mudar doença em saúde. A saúde é temporária, e a que temos hoje poderá converter-se em doença amanhã, na próxima semana ou no próximo ano.

A finalidade do ministério espiritual não é condenar publicamente o mal e tentar fazer o bem. Seu objetivo é, antes de mais nada, ensinar-nos a desprezar as aparências boas ou más e manter-nos atentos ao Caminho do Meio, compenetrados de que precisamente onde parece encontrar-se o bem e o mal, o que existe é a realidade do Espírito.

A má aparência de hoje poderá converter-se em boa aparência amanhã e, como bem sabemos, toda boa aparência pode logo tornar-se má. Um dia de paz na terra pode ser apenas a pausa momentânea que precede outra guerra; a saúde perfeita de hoje não passa de uma condição temporária que os micróbios ou o envelhecimento poderão mudar.

Vistos humanamente, estamos como que num carrossel, sempre a rodar, rodar, rodar. Estamos sempre a oscilar como um pêndulo, entre a doença e a saúde, entre a pobreza e a riqueza, entre a guerra e a paz, para trás e para frente, sem chegarmos à parte alguma.

Mas no Meu Reino não há pares de opostos. Meu Reino é um reino espiritual, onde nada é tocado por influências contraditórias. Meu Reino é dirigido e protegido pelo Divino Princípio, ou Deus, que a tudo mantém e sustenta. No Meu reino não há trevas.

Esta declaração parece dar a entender que as trevas sejam alguma coisa má. No entanto, quando alcançamos esta percepção, teremos chegado à estatura espiritual do Salmista, que disse: "as trevas e a luz são a mesma para Ti".

Trevas e luz são uma coisa só. Aos olhos de Deus não há diferença entre elas: há somente Espírito, uma Luz que não tem semelhança alguma com o que conhecemos como luz.

Luz, em sentido espiritual, é Consciência Iluminada, não por uma luz, mas pela Sabedoria.

A expressão "Eu era cego, e agora vejo" não se refere à cegueira ou falta de visão física. É um modo figurado de declarar que estávamos na ignorância mas agora alcançamos a Sabedoria. Frequentemente se representa a ignorância por trevas e a sabedoria por luz, mas, na realidade, não há trevas nem luz para aqueles que vivem acima dos opostos.

Requerem-se meses, e às vezes anos de experiência espiritual para se compreender que no Meu reino trevas e luz são a mesma coisa, e que neste Reino não procuramos mudar as trevas em luz, ou livrar-nos das trevas para obtermos a luz. Trevas e luz são uma coisa só.

Alcançar esta concepção representa grande salto para qualquer pesquisador, mas para o ignorante da sabedoria espiritual e não treinado em metafísica e misticismo, é salto, ainda maior - um salto quase impossível! – conceber ou aceitar a ideia que doença e saúde são a mesma coisa. Na realidade, não passam dos extremos opostos da mesma vara.

Quando individualmente podemos afirmar com convicção que pelo que me toca, trevas, ou luz, dá tudo no mesmo. Não estou tentado livrar-me de uma para obter a outra: estou procurando compreender somente a Sabedoria espiritual, a Verdade espiritual, a divina Presença – então é que começamos a compreender a natureza espiritual deste Universo.

Sempre que tentamos livrar-nos de algo ou procuramos conseguir algo, abandonamos o mundo espiritual em troca do mundo das concepções humanas.

Nem doença nem saúde exercem qualquer papel na vida espiritual: tudo o que existe na vida espiritual é Deus, o Espírito, infinita e eternamente manifesto como ser individual incorpóreo.

O ser incorpóreo não pode ser conhecido por meio dos sentidos da vista, da audição, do gosto, do tato ou do olfato. Pode ser experimentado somente em nossa consciência interna, mas quando compreendemos e percebemos diretamente que trevas e luz são a mesma coisa. E o que é essa coisa? Tudo o que percebemos através dos sentidos – doença e pobreza hoje, ou saúde e riqueza amanhã -, é ilusão. Não veremos a Realidade enquanto não contemplarmos o ser espiritual, incorpóreo, através de nosso sentido espiritual.

Olhemos para este mundo e perguntemos a nós mesmos: O que lhe tem aproveitado todas as guerras? Se a resposta for: "Nada!", será porque estarmos começando a alcançar a meta espiritual. Em correlação com esta pergunta, deverá ocorrer-nos uma outra: "O que tem aproveitado ao mundo todos os dias em que não tem havido guerra?". E a resposta deverá ser: "Nada".

Espiritualmente, o que estamos buscando não é a guerra nem a paz. É o governo de Deus, o governo espiritual, o governo divino. E onde atuará esse governo? Em nossa consciência. É onde ele tem que ser conscientizado.

Não importa quantas soluções se oferecem aos problemas do mundo de hoje, porque amanhã eles aparecerão sob novas formas ainda mais graves. Este vai-e-vem só acabará quando percebermos a natureza do poder espiritual e compreendermos que este nada tem a ver com as boas condições em que nos sintamos hoje e nem com as más condições em que estejamos amanhã.

A manifestação desse poder, em nós, está relacionada com a compreensão que tenhamos de que não devemos mudar as condições da matéria, mas compreender que o Espírito é onipresente; que não devemos tentar converter doença em saúde ou guerra em paz: o que devemos fazer é buscar o governo de Deus, a revelação e compreensão íntima de Deus como nossa consciência.

Isto muda completamente nossa maneira de viver. Sob a velha maneira de viver, o melhor que podíamos esperar era substituir alguma coisa má por outra boa, ou tornar positiva alguma condição negativa; e mesmo assim estava sempre presente o medo de que a coisa boa ou a condição positiva alcançada não fosse permanente: estávamos sempre lutando por aqueles momentos de saúde, paz e harmonia.

A revelação e compreensão da Unicidade de Poder ajuda-nos a alcançar aquele nível de consciência em que já não procuramos converter o estado negativo em positivo.


domingo, abril 30, 2017

O Suprimento - 2/2

 .
Em certo momento dizemos que não devemos nos preocupar quanto ao nosso suprimento ou a nossa saúde e, no momento seguinte, dizemos que precisamos "orar sem cessar" e "conhecereis a verdade e a verdade-vos libertará". Embora isso pareça contraditório, ambas as afirmações estão corretas, mas elas têm de ser compreendidas.

Há sempre uma crença de "bem humano" em operação — uma lei de estatísticas, e dela nós extraímos nosso benefício material. Nas vendas de porta em porta, há geralmente uma média de uma venda a cada vinte visitas; nas propagandas de mala-direta, há um retorno médio de dois por cento; no dirigir veículos, é dito que a regra estipula uma certa porcentagem de acidentes; as companhias de seguro de vida possuem uma tabela de expectativa de vida, e, baseando-se nessas médias, elas podem lhe informar a cada instante quantos anos de vida ainda lhe restam.

Viver humanamente, isto é, seguir ao longo do dia-a-dia permitindo que estas médias nos afetem, permitindo que crenças humanas operem sobre nós, não é um modo de vida científico. Isso tudo faz parte da crença em existência humana, e, a menos que façamos algo especificamente a esse respeito, ficaremos expostos a estas chamadas leis de saúde ou econômicas.

Estas sugestões, que realmente não passam de crenças, são tão universais que agem de modo hipnótico, e tendem a produzir efeito sobre os menos avisados, trazendo-lhes limitações.

O que nós podemos fazer para nos manter livres de tais sugestões e vivermos acima delas? Em primeiro lugar temos de viver em um plano de consciência mais elevado. Tanto quanto possível, temos de nos exercitar no conhecimento de que qualquer coisa que exista no campo do efeito, não é uma causa, não é criativo, e não tem poder sobre nós. E isso nos leva ao importante ponto da sabedoria espiritual: eu sou a lei, eu sou a verdade, eu sou a vida eterna. Ora, uma vez que eu sou consciência infinita e a lei, nada do mundo exterior pode agir sobre mim e se tornar uma lei para mim. Não há nada que nos possa infligir sofrimento, a não ser a aceitação da ilusão como realidade. As coisas chamadas pecado e a doença não são coisas pelas quais temos de sofrer: são formas assumidas pelo erro. Independentemente do nome que lhe dermos, elas são só hipnotismo, sugestões, ilusões se apresentando como pessoas, lugares ou coisas — se mostrando como pecado, doença, necessidade ou limitação.

Não devemos viver como se fôssemos "efeito", com alguma coisa operando sobre nós. Lembremos de viver como a Lei, como o Princípio do nosso ser. Podemos assumir os nossos negócios só na medida de nossa percepção consciente de que estes são efeitos de nossa própria consciência, a imagem e semelhança de nosso próprio ser, a manifestação ou expressão do nosso Eu divino — e só então seremos a lei que os governa.

Temos de começar nosso dia com uma reflexão sobre nossa verdadeira identidade. Temos de nos identificar como Espírito, como Princípio, como a Lei que atua em nossas coisas. É coisa muito necessária relembrar que não temos necessidades: somos consciência espiritual, individual, mas infinita, corporificando dentro de nós mesmos a infinitude do bem; por isso, somos o centro, o ponto da Consciência divina que pode alimentar cinco mil pessoas a cada dia, não usando nossa conta bancária, e sim a infinitude do bem que jorra através de nós, assim como o fazia através de Jesus.

Não vamos de encontro às pessoas pensando no que podemos delas obter ou no que elas possam fazer por nós — apenas vamos para a vida como para a presença de Deus.

Ao longo do dia, quer estejamos fazendo trabalho doméstico, dirigindo o carro, comprando ou vendendo, temos sempre de nos conscientizar que nós somos a lei do nosso universo, o que significa sermos a lei do amor para com todos que fazem contato conosco. Devemos lembrar conscientemente de que todos os que entram na esfera de nosso pensamento e atividade devem ser abençoados por este contato, pois nós somos a lei do amor; somos a luz do mundo. Lembremos de que não precisamos de coisa nenhuma, pois que somos a lei do suprimento em ação — podemos alimentar "cinco mil" daqueles que ainda não sabem de sua verdadeira identidade.

Existe a crença da separação entre nós e Deus — nosso bem — e nós a corrigimos quando reconhecemos que "Eu e o Pai somos um; tudo o que o Pai tem é meu; o lugar onde eu estou é solo sagrado". No reconhecimento da infinitude do nosso ser, percebemos as verdades da Bíblia, percebemos a verdade de suas promessas. Já não se trata de citações, mas de afirmações de fatos, e isto nos traz até a linha demarcatória entre "conhecer a verdade" e "não nos preocupar".

Percebemos agora a verdade como algo assentado em nossa própria consciência — a realidade do nosso ser. Não nos preocupamos em atrair algum bem; não estamos nos dando algum tratamento para que nos aconteça algo, mas percebemos a verdade, a realidade de nossa identidade, de nossa unidade com o Infinito, com nossas infinitas possibilidades. A razão para perceber e conhecermos esta verdade é que através dos tempos sempre nos reconhecemos apenas como homens — como algo diferente de ser divino — e a menos que, diária e conscientemente, lembremos da verdadeira natureza do nosso ser, recairemos sob a crença geral de que somos algo separado e longe de Deus.

Existe uma crença de que estamos separados das pessoas, que na realidade são parte de nosso ser como um todo; ou a idéia de que sejamos separados e distantes de certas idéias espirituais necessárias à nossa auto-realização, idéias que se apresentam como pessoas, textos, lar, amizades ou oportunidades. Esta crença de separação nós corrigimos com a percepção de que nossa unidade com Deus constitui nossa unidade com cada uma das idéias. Temos um bom exemplo com o telefone. Através do meu telefone eu posso fazer contato com qualquer outro telefone ou lugar do mundo, mas não posso falar nem ao meu vizinho pelo telefone sem que a ligação passe pela central. Se então eu estabelecer meu contato com a central, serei um com todos os telefones. Pelo conhecimento de nossa unidade com Deus, o Princípio infinito, o Amor, encontramos e manifestamos nossa unidade com todas as idéias necessárias à expansão de nossa "completeza".

Nunca esqueçamos de que não podemos viver cientificamente como homens ou como idéia, mas que devemos perceber que somos Vida, Verdade e AmorDevemos aceitar a revelação de Jesus sobre o "Eu sou" até que se torne realizada em nós.

Paremos de tentar aplicar a Verdade: tal tentativa de aplicar a Verdade nada mais é que uma ação do pensamento humano. A Verdade é infinita e, por isso, não há nada a que possamos aplicá-la. Ela é a realidade do ser, e não há nada exterior ou interior sobre o que ela possa agir: a Verdade age e trabalha por si própria, ou seja, é auto-operante.

Estamos todos envolvidos em atividades que aparentemente fazem o suprimento vir até nós. Independentemente de se tratar de um negócio, uma profissão ou uma arte, o que está em atividade é Consciência. Vista desse modo, nossa atividade é amorosa e inteligentemente dirigida e amparada. E mesmo mais do que isso: como uma emanação da Consciência, é a Consciência em Si mesma manifestando individualmente o próprio ser, natureza e caráter. A direção está a Seu cargo, e só a Consciência é responsável. Aprendemos a não nos envolver e a deixar que Deus, a Consciência, assuma Suas responsabilidades.

Lemos na Bíblia sobre os esforços e atribulações de Elias. Se o acompanharmos pelo capítulo dezoito de I Reis, compreenderemos que apenas a consciência da presença de Deus, do Espírito dentro dele, poderia ter feito aquelas grandes coisas. Nenhum poder humano poderia tê-lo conseguido.

No capítulo dezenove encontramos o desânimo despontar naquilo que aparece como o fracasso do ministério de Elias. Na realidade, esta foi uma oportunidade dada a Elias para que comprovasse que o poder não era de um ser humano, mas que era de fato o poder de Deus se manifestando como em homem, Deus se mostrando como ser individual.


sábado, abril 29, 2017

O Suprimento - 1/2

- Joel S. Goldsmith -


O segredo do suprimento encontra-se no capítulo décimo segundo de Lucas:


E ele disse aos seus discípulos: "Portanto eu vos digo, não vos preocupeis com a vossa vida, com o que haveis de comer; nem com o vosso corpo, com o que o cobrireis. A vida é mais que o alimento, e o corpo é mais que a vestimenta.
Considerai os corvos: eles não semeiam nem colhem; eles não têm dispensa nem celeiro; e Deus os alimenta: quanto mais vaieis vós que as aves?
E qual de vocês, com toda solicitude, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? E se, pois, não sois capazes de fazer estas pequenas coisas, por que vos preocupais com as outras?
Considerai os lírios, como eles crescem: eles não fiam nem tecem; e na verdade vos digo que nem Salomão, em toda sua glória, jamais se vestiu como um deles. E se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada ao forno, quanto mais vestirá a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis pois o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, nem andeis na dúvida. Pois todas as gentes das nações do mundo buscam estas coisas: e vosso Pai sabe que delas haveis mister. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.
Não temais, pequeno rebanho, pois é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino.”


Surge agora a questão: Como é possível "não nos preocupar" com o dinheiro quando as prementes obrigações devem ser satisfeitas? Como podemos confiar em Deus se ano após ano tais problemas financeiros nos afligem, geralmente não por falha nossa? Vimos na passagem de Lucas que o modo de resolver nossas dificuldades está em não nos preocuparmos com o suprimento, quer seja dinheiro, alimento, roupa ou qualquer outra forma. E o motivo pelo qual não precisamos estar ansiosos quanto a isso é que "é do agrado do vosso Pai dar-vos o reino", uma vez que Ele "sabe que delas haveis mister".

Para podermos entrar completamente no espírito de confiança desta passagem inspirada das Escrituras, temos de compreender que dinheiro não é suprimento, e sim o resultado ou efeito do suprimento. Não existe tal coisa como suprimento de dinheiro, de roupas, de casa, de automóvel ou alimento. Tudo isso constitui o efeito do suprimento, e se este suprimento infinito não estivesse presente dentro de nós, nunca haveria as "coisas dadas de acréscimo" em nossa vida. As coisas de acréscimo, naturalmente, são estas coisas práticas como dinheiro, alimento e roupas, que são tão necessárias neste estágio da existência.

E se dinheiro não é suprimento, que é este então? Façamos uma pequena divagação e observemos uma laranjeira carregada de frutos. Sabemos que as laranjas não constituem o suprimento, pois quando estas tiverem sido comidas, vendidas ou dadas, uma nova safra começará a brotar. As laranjas se foram, mas o suprimento continua, pois dentro da laranjeira existe uma lei em operação. Chame-a de lei de Deus, ou lei da natureza — o nome não é tão importante, mas o que importa é o reconhecimento da lei que atua na, através e como laranjeira. E esta lei opera internamente — através das raízes vêm os elementos minerais, nutrientes, água, elementos do ar; e mais a luz solar, que são então transformados em seiva. Esta, por sua vez, caminha tronco acima, é distribuída pelos ramos e finalmente toma expressão como flor. A seu tempo, esta lei transforma as flores em bolotas verdes e estas se tornam laranjas maduras. As laranjas são pois o resultado, ou o efeito da ação da lei na, através e como laranjeira. Enquanto esta lei estiver presente, teremos laranjas. A laranja, por si, não pode produzir outra laranja. E assim compreendemos que a lei é o suprimento e as laranjas seus frutos, os resultados, os efeitos da lei.

Dentro de mim e de você há também uma lei em operação — a lei da Vida — e a conscientização da presença desta lei é o nosso suprimento. O dinheiro e as coisas necessárias à vida diária são os efeitos da conscientização da atividade da lei interior. Esta compreensão nos permite desligar o pensamento do mundo exterior para habitarmos na consciência da lei.

Que é esta lei, que é nosso suprimento? A Consciência divina ou universal, a sua consciência individual — isto é a lei. E ela é de fato a nossa consciência. Assim, nossa consciência se torna a lei do suprimento para nós, produzindo a sua imagem e semelhança na forma de coisas necessárias ao nosso bem-estar. E assim como não há limites para a nossa consciência, tampouco há limites para a percepção consciente da ação da lei e, por isso, não há limites para o nosso suprimento em todas as suas formas.

A Consciência divina ou universal, nossa consciência individual, é espiritual. A atividade desta lei interior é também espiritual e, por isso, nosso suprimento, em todas as suas formas, é espiritual, infinito, sempre presente. Aquilo que vemos como dinheiro, alimento, vestimenta, carros ou casas representa a nossa interpretação dessa idéia. Nossos conceitos são tão infinitos como nossa mente.

Convenhamos que, assim como não precisamos nos preocupar com as laranjas, enquanto tivermos a fonte ou suprimento que produz continuamente os frutos para nós, também não precisamos mais nos preocupar com o dinheiro. Aprendamos a olhar para o dinheiro como olhamos para as folhas ou para as laranjas, como um resultado natural e inevitável da lei que age interiormente. Não há, de fato, razão para nos preocuparmos, mesmo quando a árvore nos pareça desfolhada, enquanto mantivermos a consciência da verdade de que a lei continua assim operando internamente, para nos dar os frutos de sua própria espécie. Independentemente do estado de nossas finanças em dado momento, não fiquemos preocupados ou aborrecidos, pois agora sabemos que a lei atua dentro de nós, através e como nossa consciência e trabalha, quer estejamos dormindo ou despertos, para nos prover das coisas "de acréscimo".

Aprendamos a olhar para os lírios e a nos regozijar com a prova da presença do amor de Deus por Sua criação. Observemos as andorinhas, quão completamente confiam na lei.

Regozijemo-nos ao ver as flores na primavera e no verão, que nos confirmam a divina Presença. Assim como aprendemos a nos alegrar com as belezas e generosidade da natureza sem o desejo de nos apoderar de qualquer coisa, sem o medo de que seu suprimento não seja infinito, assim também aprendamos a nos alegrar com o desfrute de nosso suprimento infinito — resultado do infinito repositório em nosso interior — sem nenhum medo de que alguma carência venha a nos perturbar.

Gozemos dessas coisas do mundo exterior sem, contudo, considerá-las como suprimento. Nossa conscientização da presença e da atividade da lei é nossa consciência de suprimento, e as coisas exteriores são as formas sob as quais nossa consciência se expressa. O suprimento interno se manifesta como as coisas externas de que necessitamos.


quarta-feira, abril 26, 2017

Lei de Suprimento

- Joel S. Goldsmith -


Por nenhum momento iríamos pensar em construir uma casa sem termos compreendido: As leis de projeto, escavação, edificação, etc., bem como as leis locais de zoneamento e de saúde. Não tentaríamos ganhar uma causa no tribunal, a menos que conhecêssemos a lei que a regula; e, tampouco iríamos tentar navegar sem o conhecimento das leis de navegação. Entretanto, tentamos resolver nossos problemas de suprimento individual; tentamos demonstrar a disponibilidade e abundância de suprimento sem o devido reconhecimento das leis que o governam.

Muitos ignoram a existência dessas leis e creem que uma cega fé em algum Deus ou Poder é suficiente para manifestar a operação do bem na experiência individual. No plano do Absoluto não há nenhuma necessidade de se resolver o problema do suprimento. Nele nada é requerido, pois a substância espiritual é onipresente e inexistem tempo e espaço em que o suprimento esteja ausente. Enquanto não atingirmos esta Consciência, a Consciência crística, teremos de preparar o nosso destino em conformidade com a lei das escrituras, encontrada nos textos sagrados de todos os povos. Nosso primeiro passo é o reconhecimento de nosso ser verdadeiro-nosso relacionamento com Deus.

Compreendendo Deus como a Consciência divina única universal, e o homem como a expressão individual desta Consciência, descobrimos que TUDO QUE É DO PAI É MEU, isto é, tudo o que está incorporado a Consciência universal está incorporado à consciência individual, por elas serem uma. Assim, quaisquer coisas ou ideias de que necessitemos já são partes integrantes de nossa consciência, e se desdobrarão à percepção humana tão logo nos familiarizemos com a lei e passemos a aplicá-la. "Conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará" desta ilusão de que o que você busca encontra-se separado e apartado de você. Deverá haver o entendimento de que o universo inteiro está incorporado à Mente divina; e, em vista de esta ser a nossa única mente, todas as coisas já estão dentro de nós. Em consequência, jamais somos dependentes de alguma pessoa, lugar ou condição para coisa alguma! Portanto, nosso passo seguinte é abandonar toda dependência a pessoas, posições ou investimentos para o nosso suprimento.

A princípio, isto parece ser um disparate, já que as coisas do Espírito são loucuras para os homens. "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (I Cor. 2:14).

Um negócio ou uma posição podem parecer constituir o presente canal de nosso suprimento. Nossos alunos ou pacientes podem aparentar ser nossos únicos canais. Donas-de-casa podem acreditar que seus maridos ou filhos sejam seus canais de suprimento. MAS NADA DISSO É VERDADEIRO. Como Deus, a Consciência divina, é a FONTE, então esta exata Consciência é o canal de suprimento; e, de fato, é o SUPRIMENTO em si. Procure sempre se afastar de suas noções pré-concebidas sobre este assunto, Reconheça que todas as coisas estão incorporadas à infinita Consciência eterna; e então, SAIBA QUE ESTA CONSCIÊNCIA É A SUA!

Tendo se libertado de toda dependência a fontes e recursos materiais e humanos, você perceberá o bem continuamente se desdobrando em sua experiência humana, na forma de bem que a cada momento lhe estiver sendo requerido. Enquanto caminha rumo a esta Consciência superior, obedeça a duas recomendações importantes dadas pelas Escrituras: "Levarás à casa do Senhor, teu Deus, as primícias dos frutos da tua terra." (Exodus 23:19). A forma disso ser feito deverá ser como nos ensinou o Profeta Hebreu: "E esta pedra, que erigi em padrão, será chamada casa de Deus; e de todas as coisas que me deres te oferecerei ( ó Senhor ) o dízimo." (Gen. 28:22) Após reconhecermos que tudo que existe pertence a Deus, a Mente universal, pomos de lado uma pequena mas definida parte de tudo recebido individualmente, recirculando-a no Universal, ou seja, fazemos uso desta parcela sem a vincularmos com as despesas usuais ou pessoais. Podemos doá-la a alguma causa comunitária ou de caridade, podemos exprimir gratidão a um instrutor ou praticista espiritual, mas, seja como for, esta parcela deverá ser dedicada a serviço de Deus, o bem, independente da manutenção própria ou familiar. E ela deverá se constituir das "primícias" dos frutos - e não uma parte daquilo que sobrou de nossa receita. Deverá ser tirada da mesma tão logo a recebamos, de modo que possamos, nós mesmos, fazer o equilíbrio e confiar que "Deus dará o aumento".

Nossa obediência a estes princípios nos dará condição de provar que "quando todas as fontes materiais estão secas, Tua plenitude permanece a mesma." Quando relaxamos a mente consciente das tensões e lutas, e permitimos que o bem flua através de nossa consciência espiritual, descobrimos que não precisamos temer o que o homem mortal possa nos dar ou sonegar. Repousamos na firme convicção de que "Do Senhor é a terra e a sua plenitude", e de que TUDO que é do Pai é MEU; tudo o que existe no Universal está se desdobrando para o individual. Chegamos agora àquela que talvez seja a suprema lei espiritual da Bíblia, a nós revelada por Jesus Cristo. Na Oração do Senhor, podemos ler: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Eis o ponto em que você pode pôr suas próprias limitações em suas demonstrações do bem. Na proporção em que você perdoa, receberá as bênçãos do Infinito. Podemos perdoar aos que nos devem somas de dinheiro, e àqueles que têm para conosco dívidas de amor, gratidão, reconhecimento, ou mesmo dívidas de cortesia de família ou amigos. Mas devemos perdoar. Devemos viver num constante estado de bênçãos. Este é o perdão verdadeiro que nos liberta das obrigações mortais e materiais.

Há algum tempo, fui procurado por um homem muito necessitado de dinheiro, sem emprego e sem fonte de renda. Contou-me que um de seus amigos lhe devia uma soma de dinheiro que o tiraria da dificuldade, e perguntou-me: "Como fará para que eu possa receber esta dívida?" Disse-lhe que perdoasse tanto o homem como a dívida. Não que lhe escrevesse cancelando a dívida, já que esta era problema de seu amigo, mas que o perdoasse mentalmente, e caso ela nunca fosse paga, que não pensasse mais nela, nem pensasse maldosamente a respeito do chamado devedor. "Tire-o de seu pensamento como se ele não existisse, e deixe o Princípio divino abrir seus canais de suprimento." Ele percebeu o ponto e se voltou deste único canal visível possível de suprimento para o Não-Visto Infinito. Exatamente na semana seguinte, ele recebeu dinheiro suficiente para mantê-lo por duas semanas, e, ao término da segunda semana, foi novamente chamado ao seu próprio emprego, de que havia sido desligado por vários anos.